domingo, 19 de junho de 2016

Crise – Uma oportunidade para ver o poder de Deus agir

Crise – Uma oportunidade para ver o poder de Deus agir
I Samuel 16:13; 17:4-11

INTRODUÇÃO

Fale-se muito de busca de poder em nossos tempos. Acredito que nunca se fizeram tantas campanhas sobre busca poder, entretanto, nunca se viu tanto descrédito aos evangélicos como nos dias de hoje. O fato é que os homens estão cheios de si e Deus está pouco em evidência.
Mas o que é poder? No dicionário Houaiss existem milhares de idéias e exemplos para definir a palavra PODER, aliás, esta é uma palavra que soa gostoso no íntimo do ser humano. Os experimentados afirmam que 3 coisas derrubam um homem: DINHEIRO, SEXO E PODER.
Porém, o poder que o homem mundano procura é completamente diferente do poder de Deus. John Owen, renomado teólogo puritano do século XVII afirmou que:
Não teremos nenhum poder de Deus, a não ser que sejamos convencidos de que não temos nenhum poder em nós mesmos.
A passagem que lemos mostra um jovem que recebeu poder de Deus, isto é, o Espírito de Deus que passou a nele habitar, Davi. Entretanto esse poder se manifesta em um momento de crise de uma nação. Li um livro onde o autor escreveu o seguinte título: Você pede poder e Deus lhe concede pressão, isto é, crise. Há muitas reflexões sobre esta passagem especificamente, especialmente acerca de superação de lutas, temos aqui evidências preciosas de uma pessoa que tem uma vida de poder como Davi dentro dos conceitos aqui definimos.

Uma pessoa diante da crise vê o poder de Deus agir quando:

1.Vê a crise como divinas oportunidades (v. 24; 26)
I.Os homens viam um gigante X Davi via um incircunciso filisteu, isto é, um homem fora da aliança de Deus que, portanto, não tinha a benção de Deus em contraste com seu povo escolhido. A VISÃO do homem cheio do poder de Deus está vendo a crise com as perspectivas de Deus. Assim foi com Josué e Calebe em contraste com os demais espias enviados à terra que deveriam possuir.
II.Os homens fugiam (FUGA) X Davi se enchia de coragem em Deus para enfrentá-lo. Ambrosie Bierce certa feita disse: “O covarde é ágüem que em emergências perigosas pensa com as pernas.A FUGA é uma característica muito comum de pessoas que não estão cheias do poder de Deus. Fogem das responsabilidades, fogem dos problemas, saem de casa, abandonam casamentos, famílias, mudam de igreja, param de vir a igreja...a FUGA não é o método de Deus. Provérbios 24:10 diz: “Se te mostras fraco no dia da angústia, a tua força é pequena”. Entretanto Davi era um homem cheio de coragem. Podemos afirmar como outro teólogo, C.T. Studd: “Não posso suportar a covardia. Recuso-me a fazer do meu Deus e Salvador uma mera ficção”.
Davi foi um homem cuja sua coragem provinha de seu profundo relacionamento com Deus. O próprio Davi que escreveu o Salmo 144 relatou: “Bendito seja o SENHOR (adora) rocha minha (lugar seguro), que me adestra as mãos para a batalha e os dedos, para a guerra (que treina para a guerra); minha misericórdia e fortaleza minha, meu alto refúgio e meu libertador (valente libertador), meu escudo, aquele em quem confio e quem me submete o meu povo (protetor da sua vida). É ele quem dá aos reis vitória; quem livra da espada maligna a Davi, seu servo.”
III.Os homens temiam o gigante X Davi temia a Deus - John Witherspoon, proeminente ministro presbiteriano disse: “Somente o temor a Deus pode livrar-nos do temor dos homens.” Apenas homens e mulheres cheios do poder de Deus compreendem essa verdade. A quem você tem temido? NÃO HÁ LIMITES PARA AQUELES QUE VIVEM UMA VIDA DE PODER, POIS, O PODER DE DEUS QUE NELES HABITA NÃO TEM LIMITAÇÕES. Portanto, uma pessoa cheia do poder de Deus enfrenta as adversidades como divinas oportunidades.

Uma pessoa diante da crise vê o poder de Deus agir quando:

2.A crise da auto-estima é superada na dependência de Deus (v. 28-29; 33; 42-44)
I.Davi enfrentou 3 julgamentos: a) Eliabe (v. 28-29) – Inveja; ciúmes; ira; crítica: Sua reação (v.30) – Separou-se dele. Não dar ouvidos é uma grande sabedoria. Eclesiastes 7:21 diz: “Não apliques o teu coração a todas as palavras que se dizem...” Jesus foi expulso de sua cidade, Nazaré pelos seus próprios pares. Jesus foi crucificado por seu próprio povo. Natanael disse: “Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?” b) Saul (v. 33) – Foram feitas COMPARAÇÕES com Golias. I.) Comparações físicas; II.) Comparações de habilidades de guerra; III.) Comparações com o tempo de preparo. “Guerreiro desde a mocidade”; IV.) Sua reação (v. 34-37): Ele revelou ter coragem; Força física; Dependência de Deus. Davi sabia quem era em Deus! O Senhor não faz comparações físicas, o Senhor não avalia habilidades de guerra e não considera a capacidade humana. Desde a escolha de Davi, ele teve de lidar com comparações, porém, Deus disse a Samuel quando achou que Eliabe, pelo seu porte era o escolhido: “Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o SENHOR não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o SENHOR, o coração.” (I Sm 16:7)
Princípios que aprendemos: a) O Espírito de Deus nos dá a habilidade e a capacitação que precisamos; b) No Reino de Deus os parâmetros não são mundanos, entretanto, cheio de paradoxos; c) A convicção do que somos e quem Deus é e do que Ele pode fazer nos leva a superar comparações. II.Golias (v. 42-44) – Desprezo; Zombaria; Maldição; Ameaça. O filisteu desprezou Davi a) Por ver seu tamanho. Ele se sentiu ofendido. “Não tem alguém maior do que esse moleque?” b) Pelas armas que ele (Davi) escolheu para usar. Golias era experimentado na guerra. Estamos sujeitos ao desprezo pela nossa idade, pela nossa incapacidade humana, pelo nosso tamanho físico, pela nossa eloqüência, pela nossa história, pelo nosso passado, etc. Pedro e João foram vistos com desprezo pelo Sinédrio: “Ao verem a interpridez de Pedro e João, sabendo que eram homens iletrados e incultos, admiraram-se” (At 4:13a). Qual foi a reação de Davi? Sua reação (v. 45-47): a) Tu vens com armas X Vou contra Ti em nome do Senhor dos exércitos; b) Tu me ameaças X O Senhor te entregará nas minhas mãos; c) Amaldiçoas-me por seus deuses X Saberão que há Deus em Israel; d) O SENHOR SALVA sem armas humanas.

Uma pessoa diante da crise vê o poder de Deus agir quando:

3.A crise das comparações dá lugar a uma convicção de que o que somos e temos vem de Deus (v. 38-40)
I.Saul põe em Davi o que é seu (v. 38). Em primeiro lugar vemos que as pessoas tentam por em nós o que elas acham que precisamos ter, ou nos comparam com outros dizendo a nós o que devemos fazer. Isso é uma crise. Veja o que Saul faz com Davi: a) Sua armadura; b) Seu capacete; c) Sua couraça; d) Sua espada. As pessoas olham para nós esperando que supramos suas expectativas, Intelectualmente; Fisicamente; Profissionalmente. Muitas pessoas olhavam para Jesus e cada um de alguma forma: Na trecho do evangelho conhecido como a confissão de Pedro vemos isso Mateus 16:13-20: Comparam Jesus a João Batista; Elias; Jeremias; Algum dos profetas. As pessoas tinham expectativas errôneas quanto ao Messias. “E vós, quem dizeis que sois?”.
Quando queremos superar as expectativas das pessoas e aceitamos as imposições delas; a) Não saímos do lugar; b) Nos frustramos; c) Decepcionamos e somos decepcionados. Por que existem tantas pessoas frustradas na vida profissional, na vida ministerial e na vida familiar? Porque desperdiçamos oportunidades; Porque temos expectativas muito altas; Porque nos preocupamos como o que os outros pensam acerca de nós e nos comparamos. NOSSA FRUSTRAÇÃO MUITAS VEZES É FRUTO DE NOSSA FALTA DE INTIMIDADE COM DEUS. Deus é Deus de paz e não de confusão. Na falta de paz, confundimos a voz de Deus e causamos é muita confusão para nós e para os outros. A batalha estava acontecendo, mas Davi estava seguro em Deus. Saul era precipitado, mas Davi tinha paz. E então, o que fazemos?
I.Colocamos máscaras: Máscara do legalismo; Máscara da autoconfiança; Máscara da Piedade; Máscara do povo zeloso e de boas obras. Davi poderia ter dito: Eu não lutarei, porque vocês não sabem lutar. Por que? Porque poderia se comparar. COM ISSO NÃO CONSEGUIMOS ANDAR. Porém, como Davi estava cheio do Espírito de Deus: Ele tirou aquilo de sobre si (v. 39). Ele foi como pastor para a guerra e não como guerreiro: a) Ele estava com o seu cajado; b) Ele pegou a sua funda; c) Selecionou algumas pedras.
Deus usa aquilo que somos, quando não queremos superar expectativas de ninguém e muito menos sermos aquilo que não somos. O que habilita Davi para a guerra não é a sua capacidade, mas a sua FÉ.
Precisamos nos despir daquilo que pesa sobre nós e que não nos permite andar: I. Tirar as máscaras a) Há alguém que falha? b) Há alguém que erra? c) Será que estamos num desempenho de cristãos? Todos parecem tão forte que não é possível haver fracos e então precisamos fingir que somos fortes para sermos aceitos, porém, colocamos uma redoma de vidro em volta de nossas fraquezas. II. Definir o que somos a partir de Deus e não do outro - Lucas 18:9-14 – Parábola do fariseu e do publicano; III. Encararmos a realidade da vida cristã, portanto sermos pessoas e não personagens. Muitos querem viver uma vida cristã de cinema e viram personagens. Personagens não tem defeitos e nem problemas, mas pessoas tem defeitos e problemas; Personagens buscam identidade em pessoas, mas pessoas buscam identidade em Deus; Personagens buscam aprovação dos outros, mas pessoas são aprovadas por Deus; Personagens focam estruturas, mas pessoas focam pessoas; personagens relacionam-se por interesse, mas pessoas se relacionam por amor e amizade; personagens usa as pessoas, mas pessoas ama pessoas; personagens tem visão de grandeza, mas pessoas tem visão de servo; personagens tem sua vida baseada no fazer coisas, mas pessoas tem sua vida baseada no gerar e no SER DE DEUS.

Vivemos diante de crise sim, mas crise de integridade nas igrejas e crises internas porque não sabemos o que somos e o que Deus quer de nós. Aquilo que somos e fazemos deve ser baseado na nossa relação com Deus e ao numa representação. DAVI FOI BEM SUCEDIDO PORQUE FOI SEMPRE O QUE FOI. Temente a Deus! Deus é quem define o que fazemos; Deus é quem define o que seremos; Deus é quem define o nosso valor.
Rodrigo Rodrigues Lima
Pastor





domingo, 12 de junho de 2016

A crise das comparações - Salmo 73

A crise das comparações
Justo X Ímpio
Salmo 73

Por que o ímpio prospera e o por que o justo é castigado? Por que as pessoas que fazem o mal não recebem imediatamente o castigo de Deus e aqueles que fazem o bem, a recompensa merecida? Por que pessoas boas recebem o mal e pessoas más recebem o bem? Por que homens como cheios do Espírito como João Batista são presos e degolados e reis como Herodes estão no trono? Por que pessoas que não se privam do fazer o bem e estão tão bem? Por que pessoas que se provam de fazer o mal estão tão mal? Vamos ver Jó 21:-1 na versão A MENSAGEM.
Asafe relata de como ele quase caiu. Um homem justo, sincero e temente a Deus quase perde a fé e quase quebra seu relacionamento com Deus como que numa catástrofe espiritual.
Asafe faz comparações terríveis. O problema das comparações é que você não tem a visão do todo de uma situação. Outro problema é que comparamos defeitos e coisas ruins suas com qualidades e coisas boas dos outros. Certamente haverá crise.

1.A prisão de Afase: comparações com os olhos da inveja
O invejoso não quer um carro igual ao seu. Ele quer o seu carro. O invejoso não quer um cargo igual ao seu. Ele quer o seu cargo. A inveja quase o derruba. Asafe quase cai porque:

a.Porque vê a prosperidade do ímpio sem considerar o caráter espiritual de quem as conquistou (v.2-9)
A crise de Afase se dá porque ele não está considerando o caráter destas pessoas, mas o que elas possui. Seus olhos se deleitaram nos bens materiais do ímpio. Entretanto, a pergunta para reflexão é: Quem são estas pessoas aos olhos de Deus? Ele mesmo as descreve como arrogantes e perversos. Isaías 11:3 dirá: “Deleitar-se-á no temor do Senhor; não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos.”. A bem da verdade é que toda vez que você fizer comparações com as pessoas sem considerar como Deus as vê, se porá em lugares escorregadios. Deus não está considerando o valor de alguém por suas posses, mas por seu caráter. Elas podem ser vistas como prósperas, mas como Deus as vê? Deus os vê como soberbos e violentos (v.6), maliciosos (v.8) e desbocados (v.9) e ainda assim são paparicados (v.10). Você se compara e se questiona por todo esforço e por viver certinho. Se você comparar por esse padrão, você se sentirá injustiçado por Deus.

b.Porque contrasta a prosperidade do ímpio com suas próprias dificuldades (v.12; 14)
Asafe compara e diz: “Os ímpios estão com tudo: alcançam o sucesso e a riqueza.” Em contrapartida – “Eu, um vendaval de má sorte, foi isso – um tapa na cara toda vez que eu saía pela porta.” Pago minhas contas direitinho, mas só me prejudico. Asafe invejava a saúde dos ímpios (v.4-5). Asafe invejava a popularidade que a maldade dava a eles (v.10). A bem da verdade é que toda vez que você fizer comparações de suas dificuldades com a prosperidade do ímpio, se colocará em lugares escorregadios.

c.Porque em contraste com a prosperidade do ímpio considera a fidelidade inútil (v.13)
Que crise terrível e perigosíssima de fé. Ele pensa egoisticamente dizendo que perdeu tempo jogando conforme as regras e se pergunta: “O que ganhei com isto?” De que me valeu orar, jejuar, me consagrar, ser fiel dizimista e ir aos cultos? Esse é o ponto chave me minha opinião. Quando fazemos juízo de valor daquilo que é eterno com coisas passageiras. Nos colocamos em lugares escorregadios quando os princípios eternos são comparados com coisas passageiras da vida e duvidamos da fidelidade de Deus conosco. Aqui se revela todo o caráter de Asafe. Ele servia a Deus para se dar bem e não por amor e desejo de um relacionamento íntimo e sincero com Ele.

A transição
A transição na vida de Asafe vai se dar no versículo 17 definido pela palavra até. E o motivo pelo qual Asafe não vai cair está no verso 23 que diz: “Tu me seguras pela minha mão direita.”

2.A libertação de Asafe: comparações com os olhos de Deus
Asafe passa a enxergar a verdade. Ele recebe uma iluminação em sua mente neste processo de crise. Como Asafe vai vencer essa crise? Asafe começa a ver com os olhos da revelação e:

a.Ele rompe com esse egoísmo (v.16)
A iluminação não era mental, mas moral porque ele se vira contra o egoísmo e a auto-compaixão. Ele deixa de se ver como coitadinho. O grande problema de Afase como eu já mencionei era seu EU. Porém, ele olha para a família da fé (v.15) e tem um choque de realidade. “Perae! Tem algo mais sublime que eu não estou considerando aqui. Um valor maior do que esses valores mundanos.”

b.Ele se volta para o próprio Deus (v.17)
Asafe deixa de tratar Deus como objeto e para de especular as ações de Deus para com Ele e então o adora. Se voltar para Deus significa ter clareza de propósito e destino. Ver Deus como Ele realmente é enche o nosso coração de temor e nos revela a brevidade da vida. Há dois textos que enchem o meu coração: “Olhai para mim e sede salvos.” Isaías 45:22 e “Olharam para Ele e foram iluminados; e os seus rostos não ficaram confunidos.” Salmo 34:5.

c.Ele vê todo o pivô de sua crise com os olhos de Deus (v.17)
Quem é o pivô de sua crise? A prosperidade dos ímpios. Como é ver com os olhos de Deus? Ele vê o fim deles. Estes homens que vivem de momento terão seu futuro desmontado em razão do modo de viver deles. Ou seja, “vocês querem viver na maldade, então o fim é a rejeição pessoal da parte de Deus(v.18; 20). Ainda vendo com os olhos de Deus, Asafe vê a perspectiva da eternidade (v.24). É pura graça de Deus! Não devemos avaliar o amor de Deus e as benesses de Deus somente em termos materiais. Devemos ser gratos porque Deus tem segurado em nossas mãos todo o tempo.

d.Ele apresenta genuínas evidências de arrependimento (v.21-22)
Ele estava sufocado e triste consumido pela inveja. Veja irmãos que aqui está a sutileza de satanás, o enganador. Ele fez com que Eva enxergasse o Paraíso como algo inferior tentando-a a algo maior do que o próprio Paraíso. Ele cegou Eva e Adão. Você se lembra que inveja tem a ver em desejar o que o outro tem? Eles desejam ser igual a Deus. Como que Adão e Eva ficassem ressentidos com o que Deus lhes oferecera até o momento e foram roubados da gratidão de viverem a eternidade com Ele. É a mesma coisa que acontece conosco quando caímos na armadilha das comparações. Portanto, Asafe se arrepende de sua ingratidão e de suas grotescas comparações em vista do que Deus era para Ele.

e.Ele se volta para a maior de todas as glórias
Deus é minha segurança – v.23
Deus é meu guia – v.24
Deus é minha glória – v.24
Tendo a Ti, nada mais desejo na terra – v.25 – Equivale a “Viver para mim é Cristo”


Conclusão – A verdadeira comparação é – v.27-28

Rodrigo Rodrigues Lima
Pastor

domingo, 5 de junho de 2016

Crise - No vale de ossos secos - Ezequiel 37:1-14

Crise - No vale de ossos secos
Ezequiel 37:1-14

Graça e paz irmãos e irmãs em Cristo. A partir de hoje estamos iniciando uma série de mensagens sobre princípios espirituais para tempos de crise. Entretanto, não entendo apenas de falarmos sobre crise financeira, mas ampliarmos o assunto. Deus está nos preparando para uma grande colheita. Precisamos de uma igreja fortalecida e preparada para receber as vidas que Deus enviará.
O texto que lemos faz parte dos oráculos finais de Deus (capítulos 33 a 48) correspondentes aos primeiros 16 dos 70 anos em que o povo de Judá se encontraria em cativeiro babilônico.
O cativeiro babilônico era um tempo de crise com um propósito, o propósito de levar Judá a reconhecer a Deus e Dele depender. Deus tem nos chamado nos últimos domingos à dependência e à fé. Acredito firmemente que a crise é uma grande ação de Deus para promover um grande avivamento em nossas vidas. Todos os avivamentos na história foram precedidos por períodos de crise em diversos aspectos, tanto na sociedade quanto na igreja. Deus quer mover-se sobre a igreja, num povo santo e dependente, cheio do Espírito Santo, mas antes, muitos são levados ao vale de ossos secos. Tenho certeza que há pessoas aqui se veem como esses ossos, secos na fé, secos na sua vida devocional, secos no seu ministério, secos e sem esperança diante do cemitério em que se encontra o lar, o trabalho e os sonhos. Deus quer nos fazer sair da sepultura e tirar de lá tudo o que as inquietações e falta de foco em Cristo tem enterrado.

1.Deus nos chama à solitude com Ele (v.1)
Deus veio sobre o profeta e o levou em Espírito ao meio do vale. Este foi o mover do Espírito para revelar ao profeta a situação e solução daquela nação. O primeiro passo para discernir a crise é ser movido pelo Espírito de Deus e para isso se faz necessário tempo com Deus. Não existe mover espiritual sem tempo com Deus. Habacuque, diante da eminente crise, se pôs na torre de vigia (Habacuque 2:1). Muitos se queixam em suas casas diante da crise, mas não se põe na torre de vigia. Quando Jesus morre, seus discípulos se dispersam e sete deles resolvem pescar voltando a jogar a rede do errado (João 21:6). Há alguns aqui que estão indo em direção ao cemitério para suas sepulturas e há outros que Deus quer tirar da sepultura. Na crise é tempo de falar (orar) e ouvir (meditar/silêncio). Meu testemunho 21/08/2014.

2.Deus nos chama a encarar a crise como ela realmente é (v.2)
“Ossos sequíssimos”. Amados irmãos e irmãs não podemos fechar os olhos. Devemos ver a situação como ela realmente é e como Deus a vê. A derrocada de Judá foi não encarar a realidade como realmente ela é. Jeremias, contemporâneo mais velho que Ezequiel teve de enfrentar um falso profeta chamado Hananias. O povo já em cativeiro, Hananias profetizava: “Quebrei o jugo do rei da Babilônia. Dentro de dois anos, eu tornarei a trazer a este lugar todos os utensílios da Casa do Senhor, que daqui tomou Nabucodonosor, rei da Babilônia, levando-os para a Babilônia.” (Jeremias 28:2-3), entretanto, Jeremias, encarando a realidade com os olhos de Deus disse a Hananias: “O Senhor não te enviou, mas tu fizeste que este povo confiasse em mentiras. Pelo que assim diz o Senhor: Eis que te lançarei de sobre a face da terra; morrerás este ano, porque pregaste rebeldia contra o Senhor(Jeremias 28:15-16). Onde é a tua crise? Vendo o problema sabemos como resolvê-lo, pois, a realidade vai pedir soluções. Lá em Juízes 6, quando os midianitas oprimiam os israelitas sob a permissão de Deus por terem feito o que era mau perante o Senhor, Gideão se lamentava questionando a Deus o porquê daquele mal (Juízes 6:13). Quando Gideão passa a encarar a crise como ela realmente era e percebe que o povo tinha trocado Deus por Baal, ele destrói o altar de Baal (Juízes 6:25; 27) e o Espírito de Deus revestiu Gideão (Juízes 6:34) e com 300 homens (Juízes 7), ele vence aquela situação. Precisamos nos aproximar de Deus e ver a nossa crise com os olhos de Deus. Tem pessoas na sepultura por falta de perdão, por falta de fé, por causa do pecado, por causa da falta de posicionamento, por não ter priorizado o Senhor. Encare sua situação, reconheça o que tem lhe secado os ossos porque hoje Deus quer lhe dar vida!

3.Deus espera que sejamos dependentes Dele (v.3-7)
I.Só se deve agir pela dependência de Deus. (v.3) A crise leva muitas pessoas à impulsividade. Deus pergunta ao profeta, e aqui Ele é chamado filho do homem, isto é, o Criador pergunta ao ser humano. A resposta é sábia: “Senhor Deus, tu o sabes.” Vemos um diálogo entre Deus e o profeta. O diálogo entre Deus e o homem se chama oração. Só posso falar o que Deus falar.
II.Só se deve falar o que Deus disser. (v.4-6) Em tempos de aflição a Palavra de Deus deve ser a âncora meus irmãos. Só se tem esperança estando fundamentado na Palavra e se posicionando na Palavra. A crise, quando não fruto de pecado e rebeldia, é oportunidade para fortalecimento da nossa fé e convicção na Palavra de Deus. Jesus provado no deserto venceu-a pela Palavra. Preste atenção: Só posso fazer o que Deus mandar eu fazer. Pergunto: Você tem uma Palavra de Deus para o que está fazendo hoje no meio da crise? Pergunto: Será que a crise não é fruto talvez por não ter dado ouvidos aos mandamentos da Palavra de Deus? Não comece nada que Deus não mandou você começar. Seja Jeremias, seja Ezequiel, mas não seja Hananias.
III.Nunca diga nada diferente do que Deus disse (v.7) Deus é perfeito e não erra nunca. Não duvide da direção de Deus. Não seja rebelde! É melhor estar no barco em meio à tempestade do que em alto mar em direção à Társis como Jonas.

4.Deus nos mostra que sua Palavra é poderosa e faz barulho (v.7-8)
Ah amada igreja! Não entendemos o agir de Deus e o barulho que se faz, mas devemos perseverar na Palavra do Senhor. Barulho = situações que não entendemos. “Ouve-se a voz do Senhor sobre as águas...” (Salmo 29:3-11). Paulo e Silas estavam na prisão e Deus bradou naquele lugar! Houve um terremoto e gerou salvação. Vá até o final sobre a poderosa Palavra do Senhor. Deus quer juntar os ossos. Ele levanta o caído! Ele dá vida! Ele refaz seu ministério, seu coração ferido, seu lar, sua esperança! Ele é o Senhor!

5.Deus tem um propósito de revitalizar você (v.8b)
“Mas não havia neles o espírito”. Aqui se trata e vitalidade. É um grande problema quando se perde o vigor, a vitalidade, a esperança. Uma criança é cheia de espírito, isto é, é cheia de vida. Uma pessoa espirituosa é uma pessoa cheia de vida. Judá havia perdido sua vitalidade com o cativeiro. O cativeiro, a crise rouba o vigor. Mas, quero que saiba que até na crise há um propósito. Perceba que Deus só vê um grande exército quando há espírito nele. Deus viu aquele cemitério de ossos secos como um exército numeroso.
Amada igreja, Deus quer revitalizar a nossa alma, a nossa fé, a nossa esperança, a nossa alegria em meio à crise. Deus quer que sejamos cheios da Sua Vida! Este dia é dia de restauração!

Rodrigo Rodrigues Lima
Pastor

terça-feira, 24 de maio de 2016

Palavras de Jesus à igreja sofredora! Apocalipse 2:8-11

Palavras de Jesus à igreja sofredora!
Apocalipse 2:8-11

Preliminarmente, vale destacar como os primeiros cristãos consideravam o sofrimento. Pedro escreveu a um grupo de irmãos que estavam sofrendo nos seguintes termos: "Foi para esse tipo de vida que vocês foram convidados, o mesmo que Cristo viveu. Ele sofreu e aceitou toda espécie de sofrimento para que vocês soubessem que esta vida era possível e aprendessem a vivê-la, passo a passo. Ele nunca fez nada de errado, nem disse qualquer coisa incorreta. Ele foi xingado com tudo que é nome, mas não reagiu. Sofreu em silêncio, contente em deixar Deus acertar as coisas." I Pedro 2:21-24 (versão A Mensagem)
Pedro e os demais apóstolos, após serem açoitados por causa do nome de Jesus se alegraram ao se sentirem honrados por sofrer afrontas neste mesmo nome. (Atos 5:40-41)
Os apóstolos, com exceção de João que morreu de morte natural, todos foram martirizados. Pedro e Bartolomeu morreram crucificado de cabeça para baixo. André foi morto numa cruz em forma de "X". Mateus foi golpeado a espada na Etiópia. Tomé foi atingido por uma lança. Simão, o zelote, foi serrado ao meio. Matias e Paulo foram decapitados. Filipe morreu por enforcamento.
O que Jesus tem a dizer? Veremos na carta à igreja de Esmirna:

1.Jesus se apresenta e se identifica com a igreja sofredora (v.8)
Esmirna era uma cidade auto-suficiente e o culto e o comércio em torno dos deuses pagãos eram a fonte de renda daquela cidade portuária. Ali também havia um templo construído ao imperador Tiberio para a prática do culto ao imperador romano que eles declarados deuses e chamados de "Senhor". Entretanto, com o avanço da fé cristã, a economia foi afetada porque cristãos não compram imagens e tampouco cultuam ao imperador. Assim, irrompe-se grande tribulação (pressão e perseguição) aos cristãos que sofrem ameaças e muitos são mortos. Por que Jesus se apresenta como "o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver"?
a)Porque no sofrimento o cristão tem a dificuldade de reconhecer ao seu Senhor perdendo o foco. A crise de modo geral abala o que se crê. Assim foi com o profeta Habacuque (Habacuque 1:2-4). Assim foi com Jó (Jó 7:17-21). Jesus se apresenta a uma igreja que se sente só no meio da dor.
b)Porque como o "primeiro e o último", a primeira razão, diferentemente dos deuses pagãos, ele não precisa de ninguém para sustentá-lo e mantê-lo vivo no coração das pessoas. A segunda razão está no fato de que ser o primeiro e o último revela que Ele é eterno. Ele é o começo é o fim.
c)Porque como aquele que esteve morto e tornou a viver, ao observarmos essa pequena carta, onde a palavra morte aparece mais duas vezes, para a igreja sofredora a morte é uma realidade muito presente. Porém, Jesus lhes anima dizendo: Eu morri, mas tornei a viver! Eu sou o Eterno! Eu vivo para sempre! Não tenham medo da morte.
Pergunto: Como Jesus se apresenta neste momento de sua vida? Como Ele se identifica com você hoje?

2.Jesus conhece a sua igreja sofredora (v.9)
Jesus descreve as situações e condição na qual vive aquela igreja sofredora. Ela a conhece. Ele diz:
a)Conheço a tua tribulação – com toda probabilidade, a maior pressão vinha de autoridades governamentais, ainda mais que a cidade servia como centro de adoração ao imperador. A palavra tribulação aqui significa “pressão que vem de fora”. Eles eram pressionados.
b)Conheço a tua pobreza – A fé afetava a questão do emprego. Ser cristão significava perder vagas. Cristãos perderam heranças familiares por sua lealdade a Jesus. Irmãos da igreja primitiva eram encorajados pelos apóstolos em meio à sua pobreza (Tiago 2:5).
c)Conheço as blasfêmias – Vejamos algumas delas:
I.Canibais. Porque na ceia partilhavam o corpo e o sangue de Jesus; II.Imorais. Acusados de praticarem orgias sexuais porque chamavam sua refeição em conjunto de “festa do amor”; III.Contrários à família. Porque ao crerem em Jesus, muitos eram expulsos de casa; IV.Ateus. Por adorar a Deus sem imagens; V.Desleais ao império. Porque só tinham a um Senhor e este não se chamava César, o Imperador. Seu nome era Jesus Cristo, O Senhor; VI.Incendiários. Por ensinarem que o mundo acabará em fogo.
Jesus conhece bem a  necessidade da sua igreja e se identifica com ela. Jesus sofreu pressões. Jesus foi pobre. Jesus foi blasfemado. Este é o conforto para a igreja sofredora! Jesus disse que por causa do seu nome seremos odiados (Mateus 10:22). Mas há muitas promessas e dentre elas ele diz: “Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos”. (Mateus 28:20). Hoje também ele nos diz: “Eu conheço você! Eu conheço você! Eu conheço você!”

3.Jesus tem três imperativos para a igreja sofredora (v.10)
a)Não temas – Jesus não diz que os poupará do sofrimento, mas os encoraja dizendo: “Não temas”. Quando a filha de Jairo esteve morta, Jesus lhe disse: “Não temas” (Marcos 5:36). Quando Paulo esteve em Corinto pregando a Palavra, Jesus lhe veio a noite numa visão e lhe disse: “Não temas”.
b)Sejam fiéis – O acusador (diabo) os lançaria na prisão 10 dias. Eles seriam postos à prova. Uma vez postos à prova seria revelado a sua fidelidade. Veja comigo Hebreus 11:35-38. Postos à prova se revelaram “homens dos quais o mundo não era digno”. A fidelidade dos fiéis será recompensada e todos nós veremos naquele grande dia. (Apocalipse 7:9-17)
c)Ouçam com atenção – “Quem tem ouvidos, ouça”. O que a igreja sofredora tem ouvido hoje? Na verdade, me pergunto o que nós, a igreja livre com toda a liberdade que desfruta tem ouvido hoje? Não será hora de pararmos nossa frenética vida e agenda para ouvirmos o que o Espírito tem dito à igreja?

Rodrigo Rodrigues Lima
Pastor

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Habilitado para exercer o ministério!

Habilitado para exercer o ministério!
II Timóteo 3:14-17

Lembro-me quando fui tirar a minha carta de motorista. Primeiramente precisei fazer as aulas teóricas, decorar placas, assistir a vídeos de trânsito e fazer a prova teórica no DETRAN. Eu estava mesmo ansioso para dirigir.
Então, comecei a aula prática. Não era fácil achar o tempo da embreagem. Meu maior receio era não calcular devidamente o espaço entre os veículos. Mas, o sucesso estava em ouvir tudo o que o professor tinha a me dizer. Com sua experiência, orientou-me, passou-me segurança e todas as dicas necessárias para ser um bom motorista.
A maior alegria foi receber minha carta de motorista. Finalmente, habilitado para dirigir.

Paulo escreve a Timóteo e no trecho em questão é descrito sobre as sagradas escrituras. No último verso é revelado o resultado que as Escrituras produzem. Uma pessoa de Deus perfeita e perfeitamente habilitada para toda boa obra. Assim como tirar uma licença que o habilita para ser um condutor, há condições e um tempo necessário com as escrituras para torná-lo perfeito e perfeitamente habilitado.

1.O habilitado permanece naquilo que aprendeu (v.14)
Nunca quis aprender a dirigir fora de uma auto-escola porque sempre me disseram que eu poderia criar vícios difíceis de serem deixados de lado. Portanto, quando recebi minha habilitação eu fazia e ainda procuro fazer como meu professor me ensinou. Às vezes dou uma “escapada”, mas no geral mantenho-me. Já fui chamado de “caxias”, isto é, de “certinho” quando estou dirigindo. Mas, permanecer naquilo que aprendi nas leis de trânsito e segui-los tem me dado segurança e domínio. Mantém-me próximo da essência do que é ser um bom motorista.
Não penso que seja diferente no ministério. Timóteo permanecendo naquilo que aprendeu o manteve contínuo, sem variações, com mínimas possibilidades de erro, pois, teve uma referência que preservava a essência de sua vocação.
Apesar de crescer no conhecimento através do academicismo teológico, sempre fiz questão de não perder de vista aquilo que aprendi nos primeiros passos. Paulo fala exatamente isso para Timóteo. Ouço Paulo dizendo: “Timóteo, não perca a sua referência. Se lembre de quem você aprendeu e o que você aprendeu desde pequeno.”
Não ignoro todo o conhecimento adquirido, mas luto para não perder a essência, os primeiros passos que foram importantes e o meio pelo qual recebi convicção de minha vocação.

2.O habilitado é sábio para a salvação (v.15)
Para que serve as leis de trânsito? Para nos tornar sábios no trânsito mantendo a ordem e preservando a vida. Salvação é obra de Deus e uma constante na vida do homem de Deus. Ele é salvo e está sendo salvo, pois, se trata da restauração da imagem de Deus nele, isto é, o processo de santificação como evidência de um relacionamento com Deus. Salvação é a possibilidade de em Cristo Jesus relacionar-se com o Pai, em um processo de contínua transformação do nosso ser para sermos conforme a imagem de Seu Filho Jesus Cristo. Santidade é preservação da vida. As escrituras nos mantém puro. “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.” (João 17:17).
Uma pessoa habilitada para o ministério é santificada, vive em harmonia com Deus e preserva a vida. O conhecimento de Deus a mantém por meio das Escrituras desenvolvendo a sua salvação, isto é, o mantém livre do poder e do prazer de pecar e o aponta em direção a Deus. O livra de errar. Preserva a vida “no trânsito”. Ele tem entendimento divino. É sabedoria de Deus para viver nessa vida em plena comunhão com Deus. Como poderei exercer o ministério e instruir a outros se não vivo o que ensino? Ensinar outras pessoas a dirigir, mas eu mesmo com minha carta vencida, sem autorização legal para fazê-lo é um problema.

3.O habilitado submeteu-se ao método de formação das Escrituras (v.16)
Meu professor da auto-escola me ensinou, me repreendeu, me corrigiu e me educou na condução do veículo dentro das leis de trânsito. Fui reprovado duas vezes até ter minha habilitação. A baliza foi muito difícil, além de esquecer algumas setas.
O homem de Deus perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra se submeteu ao método de formação das Escrituras.
Perfeito nesta passagem significa ter uma aptitude especial para determinada prática ou atividade. A obra de Deus é excelente e precisa de homens e mulheres de Deus apto a altura.
Não se trata meramente de como fazer. Pregadores existem aos milhares. Dirigentes de cultos existem aos milhares de milhares. Plantadores de igrejas também.
O que define uma pessoa apta para o ministério? Bom, voltemos ao exemplo de um motorista apto.
Um motorista habilitado não é aquele que corre a mais de 120 km/h numa via de 60 km/h só para provar que sabe dirigir sem causar acidentes numa via de 60 km/h. Pelo contrário, um motorista habilitado é aquele que sabe conduzir um veículo a 120 km/h respeitando a via andando no seu limite. Ele preservou a essência! Ele foi ensinado, pois teve e tem um espírito ensinável. Está sempre pronto a aprender e não se fecha no seu conhecimento. Aceitou a repreensão, isto é, foi provado e testado mais de uma vez até aprender o jeito certo se submetendo ao teste. Como eu detestava ter que fazer a baliza mais de uma vez. Mas, precisei ser testado, provado naquilo que eu tinha muita dificuldade. Depois, fiz a prova. Fui reprovado duas vezes no teste e corrigido pelo meu professor quando este procurou me ensinar o modo correto e não cometer mais erros. Fui educado na justiça, isto é, nas leis de trânsito.
Quando ensinado, repreendido (testado e provado), corrigido (reprovado e ensinado a fazer do modo certo), educado nas leis de trânsito, então fui habilitado.
O que define uma pessoa apta para o ministério?
Uma pessoa apta para o ministério, além de vocacionada, tem espírito ensinável. Mesmo sabendo dirigir, se senta ao lado do professor para receber a sua habilitação. Ela pode saber mais que o professor (pessoas que lhe ensinam e modelam, além da comunidade que também nos ensina e modela), mas se submete ao ensino, à repreensão, à correção e educação. Então, verdadeiramente saberão que ele ou ela é um homem ou mulher de Deus com aptidão especial para exercer o ministério. 
Não se trata de como ele faz, mas de quem ele se tornou e Paulo está dizendo para Timóteo - "não tire os olhos das Escrituras". "Não se encante com a forma, mas mantenha-se na essência." "Não se trata em simplesmente saber fazer, mas ser." "Por isso, gaste tempo com aquilo que é essência". 
Eu diria que estar habilitado é voltar-se sempre para o manual, se auto-avaliando e preservando a essência. 
Durante algum tempo me via frustrado no ministério e esgotado emocionalmente. Aprendi que o caminho é não tirar os olhos da essência, isto é, manter a paixão acesa em por meio do contínuo contato com as Escrituras sempre sendo zeloso para aprender com quem quer que seja, nunca apoiando-me no meu próprio entendimento e vivendo sob o poder da graça daquele que define a minha agenda. Assim, por Ele, sou habilitado.

Como está a tua habilitação?

No amor de Cristo,
Rodrigo Rodrigues Lima

Pastor

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Mensagem: Igreja vitoriosa - A igreja em oração

Igreja vitoriosa - A Igreja em oração
Atos 4:23-31

Graça e paz irmãs e irmãos em Cristo. Nós queremos refletir sobre uma igreja vitoriosa. Queremos ser uma igreja prevalecente neste mundo. Estamos com muitos desafios pela frente. Queremos ver conversões. Queremos multiplicar mais discípulos. Queremos multiplicar igrejas. Queremos gerar e enviar missionários. Queremos gerar mais líderes. Queremos multiplicar as células. Queremos concluir a reforma. Queremos construir um novo prédio. Precisamos de recursos de toda natureza.
Cada um de nós tem anseios pessoais e grandes desafios a enfrentar. Temos alvos para nós mesmos que parecem impossíveis. Como chegar lá?

A passagem aqui mencionada é um relato da perseguição que os apóstolos estavam sofrendo. Pedro e João foram presos e interrogados pelo Sinédrio, uma espécie de Supremo Tribunal Federal dos judeus nos tempos de Jesus que era composta de 71 membros, a saber, escribas, anciãos, membros das famílias dos sumo-sacerdotes, o presidente da assembléia.
Pedro e João foram proibidos de falar de Jesus (Atos 4:18) e foram ameaçados (Atos 4:21). Preliminarmente gostaria de observar que: a)Após a cura do coxo e a pregação do evangelho, os sacerdotes, o capitão do templo e os saduceus prendem Pedro e João (Atos 4:1-4). O que podemos aprender? Os líderes e todas as pessoas que estão influenciando e frutificando sofrerão algum tipo de resistência. Estamos numa guerra, que apesar de vencida, ainda enfrentaremos batalhas e ataques. É como na batalha da Normandia, quando os aliados em 06/06/1944 invadem e vencem o exercito nazista naquele lugar ficando conhecido como o dia “D”. Ali a guerra foi ganha, mas houve outras batalhas até que o inimigo se desse por vencido. b)Pedro e João compartilham com a igreja as ameaças (Atos 4:23). O que podemos aprender? Devemos compartilhar com as nossas células e irmãos na fé acerca das resistências que enfrentamos.

Diante dos desafios que a igreja primitiva nas casas está sofrendo, as ameaças e proibições, bem como seus líderes sendo perseguido, qual é a reação mais sensata? O que podemos fazer diante dos desafios impostos a nós que relatei no início dessa mensagem? Vamos aprender com a igreja primitiva:

1.Uma igreja vitoriosa é unida em oração (v.24-28)
A igreja “unânimes, levantaram a voz a Deus...”. Perceba que é um cenário de guerra para a igreja primitiva. Apesar do expressivo número de convertidos, a igreja continua sendo minoria marginalizada. Os religiosos da época que detinham todo o poder político e as leis, não davam alternativa aos líderes e à própria igreja. O que fazer quando não se sabe o que fazer?
Unanimidade em direção ao Senhor – Há um ensinamento de Jesus que é muito claro. “Todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e casa sobre casa cairá.” (Lucas 11:17). Essa expressão unânime é o mesmo que dizer: com uma mente, de acordo comum, com uma paixão. De 12 vezes que essa palavra aparece em Atos, 10 delas nos ajuda a entender a singularidade da comunidade cristã em seus primórdios. Ela é um composto de duas palavras no original que significam “impedir” e “em uníssono”. Denota tanto a força de um exército quanto a orquestra em perfeita harmonia. I. Como exército – a igreja tem soldados valentes. Como um só homem, em unidade no poder do Senhor ela avança sob a direção do general Jesus contra as portas do inferno. É a oração feita em concordância com o mais profundo anseio da alma da coletividade.  II. Como orquestra – Igual aos instrumentos tocados sob a direção de um maestro, assim o Espírito Santo harmoniza as vidas dos membros da igreja.
Perceba que o que regia a igreja primitiva era estar sob a direção do General e sob a condução do maestro Espírito Santo. A oração deles começa da seguinte forma: “Tu Soberano Senhor, que fizeste o céu, a terra, o amor e tudo o que neles há.” Quando não se sabe o que fazer, com unanimidade a igreja se volta para o Cabeça e soberano sobre todas as coisas. Eles reconhecem o propósito de Deus nas perseguições e adversidades e com o olhar nelas, é que eles oram. “teu propósito predeterminaram.Não se trata de unanimidade na forma do que fazer, mas unanimidade em direção àquele que sabe o que fazer porque Ele é soberano sobre tudo e todos e que para tudo tem um propósito específico. A Romênia vivia debaixo de um regime comunista sob a liderança de Nicolae Ceausescu, bárbaro e assassino. Entretanto, Deus libertou a Romênia em apenas 10 dias. Deus usou uma igreja de 80 membros para desencadear essa revolução. Em 15/12/1989, a polícia secreta cerca a casa do pastor daquela igreja para expulsa-lo da cidade. Os 80 membros fizeram um cordão de isolamento em volta daquela casa e a polícia mandou buscar reforços. Todos os crentes da cidade se mobilizaram. A polícia chegou atirando em todos. Naquela mesma noite uma jovem saiu gritando pelas ruas: “Deus existe! Deus existe! Deus existe! Liberdade! Liberdade! Liberdade!” Aquele grito alcançou o coração da nação e em 25/12/1989 havia 100.000 crentes na capital romena lideradas pelos seus pastores que estavam na praça a plenos pulmões unânimes: “Deus existe! Deus existe! Deus existe! Liberdade! Liberdade! Liberdade!” e o regime caiu. Deus responde a uma igreja, a uma célula, a uma família unânime na oração, com a mesma paixão e que confia Nele como o grande condutor da história.

2.Uma igreja vitoriosa entrega a Deus seus desafios para não paralisar (v.29-30)
a)”agora, Senhor, olha para as suas ameaças...” (v.29). A igreja primitiva se viu ameaçada, porém, sua reação foi a mais correta. Ameaçar a igreja de Cristo é ameaçar o próprio Cristo. Pode alguém ameaçar a Cristo, o Cabeça da igreja? Você consegue perceber que não estamos sozinhos em hipótese alguma? Igreja, Deus tem me falado muito sobre fé nesses dias. Quando não há fé surgem o medo e a incredulidade. O sinédrio quisera paralisar os apóstolos e a igreja, ameaçando-os. A insegurança (que é estar dominado por algum tipo de medo), o medo, a ansiedade, a incredulidade são sentimentos que surgem quando de alguma forma nos vemos ameaçados e esses sentimentos têm o poder de nos paralisar, pois, são fatores incapacitantes. Logo pensamos que não somos capazes, que não conseguiremos e que não avançaremos. Quais são os desafios que você encontra hoje e se tornam fatores incapacitantes, ou instrumentos de paralisia? Se Jesus tivesse dado ouvido às ameaças e não ao Pai, os discípulos não seriam chamados, a igreja não teria se expandido e nós não estaríamos aqui. O que quero dizer? Se dermos lugar à incredulidade, à insegurança, e às ameaças, não teremos legado e não promoveremos a glória de Deus. Houve um homem de fé chamado Jorge Müller. Ele sustentou um orfanato com 2.000 crianças sem um tostão se quer. Certa vez um homem chamado Dr Pierson se hospedou no orfanato, ao passo que Jorge lhe disse que não havia nada o que comer na manhã seguinte. Jorge o convidou para orar e confiar na provisão de Deus. Na manhã seguinte a alimentação já estava suprida em abundância para todos do orfanato e ambos não sabiam como aquilo havia acontecido. Quando perguntando sobre como adquirir tamanha fé, Müller respondeu: 1) Lendo a Bíblia e meditando sobre o texto lido, chega-se a conhecer a Deus, por meio da oração; 2) Procurar manter um coração puro e uma boa consciência; 3) Se desejamos que a nossa fé cresça, não devemos evitar aquilo que a prove e por meio do qual ela seja fortalecida. Quais são as ameaças que você vê na sua célula? Falta de líder em treinamento? Falta de anfitrião? E no seu ministério? É a falta de recursos? É na sua vida? É a crise econômica? É o desemprego? Deus nos convida a viver por fé. Ele nos chama a caminhar de joelhos.
Em II Reis 6:8-23 podemos ler o relato em que o Rei a Síria manda um exército para capturar e matar Eliseu. Seu moço se desespera. Eliseu então lhe responde: “Não temas, porque mais são os estão conosco do que os que estão com eles. Orou Eliseu e disse: peço-te que lhe abras os olhos para que veja. O Senhor abriu os olhos o moço, e ele viu que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu.” Vamos pedir ao Senhor neste dia: “Senhor, abra os meus olhos.”
b) “concede aos teus servos que anunciem com toda intrepidez a tua palavra”. (v.29) Outro elemento essencial nessa oração é o pedido que eles fazem. Jesus disse: “E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho.” João 14:13. Sugiro que você vá à Bíblia e leia o verso 12 também. A igreja primitiva ora a vontade de Deus e esse é o segredo. É vontade de Deus que sua obra prospere e avence. Mas, como saber a vontade de Deus? Como ter orações respondidas na direção da obra de Deus e não paralisar diante dos obstáculos e ameaças que surgem? Volto-me mais uma vez a Jorge Müller que uma vez questionado sobre isso, ao que respondeu: 1) Procuro manter o coração em tal estado que ele não tenha qualquer vontade própria no caso. De dez problemas, já temos a solução de nove, quando conseguimos ter um coração entregue para fazer a vontade do Senhor, seja essa qual for. Quando chegamos verdadeiramente a tal ponto, estamos, quase sempre, perto de saber qual é a sua vontade; 2) Tenho um coração entregue para fazer a vontade do Senhor, não deixo o resultado ao mero sentimento ou a uma simples impressão. Se o faço, fico sujeito a grandes enganos; 3) Procuro a vontade do Espírito de Deus por meio da sua Palavra. É essencial que o Espírito e a Palavra acompanhem um ao outro. Se eu olhar para o Espírito, sem a Palavra, fico sujeito, também, a grandes ilusões; 4) Depois considero as circunstâncias providenciais. Essas, ao lado da Palavra de Deus e do seu Espírito, indicam claramente a sua vontade. 5) Peço a Deus em oração que me revele sua própria vontade. 6) Assim depois de orar a Deus, estudar a Palavra e refletir, chego à melhor resolução deliberada que posso com a minha capacidade e conhecimento; se eu continuar a sentir paz, no caso, depois de duas ou três petições mais, sigo conforme essa direção.
Deus é a fonte de toda ousadia, intrepidez e coragem que você e eu precisamos. Deus é a fonte de todos os recursos que precisamos. Por isso, precisamos orar.

3.A igreja vitoriosa é cheia do Espírito Santo (v.31)
Deus quer uma igreja cheia do Seu Espírito. O que é uma igreja cheia do Espírito Santo? É uma igreja onde Deus habita (João 14:17). É uma igreja onde não há engano e não se esquece das palavras de Jesus (João 14:26). São crentes andando no Espírito com a visão de Deus e não dão lugar à carne (Gálatas 5:16). É um povo com intrepidez e que anuncia a Palavra de Deus. É um povo dominado pelo amor, pela alegria, pela paz, pela longanimidade, pela benignidade, pela bondade, pela mansidão e pelo domínio próprio (Gálatas 5:22-23). É uma igreja que fala das maravilhas de Deus a todos os povos (Atos 2:1-4). É uma igreja cheia de autoridade (Atos 4:8). A igreja primitiva foi cheia de autoridade porque cultivava uma vida de oração e fé, elementos essenciais para uma vida no poder do Espírito. Igreja de Cristo, dê lugar ao Espírito de Deus. Orem em suas células, orem em suas casas, orem todo o tempo! Orai sem cessar (I Tessalonicenses 5:17).

Rodrigo Rodrigues Lima

Pastor

Reflexão: "Evite discussões desnecessárias"

Evite discussões desnecessárias
II Timóteo 2:23-26

Não é de hoje que temos a necessidade de emitir opiniões e debater sobre assuntos que sequer temos domínio. Porém, especialmente no tempo atual, com o crescente individualismo e relativismo, as pessoas mais do que nunca emitem opinião sobre tudo. A internet deu voz e as redes sociais abriram as janelas da vida privada.
Quando eu era criança, meu avô no interior da Bahia jogando buraco com seus amigos discutiam assuntos diversos. Não se perdia a amizade nas divergências, aliás, as fortalecia. Hoje não é bem assim. As pessoas sem muito relacionamento com você emitem opinião sem que você pergunte se deseja e fecham as portas de um relacionamento. Deletamos, excluímos, bloqueamos, etc.
Hoje as pessoas com tanto acesso à informação, não analisam sequer as fontes. Quando questionada a fonte e veracidade de suas opiniões, imediatamente elas respondem: “Eu vi na internet”, como se essa por si só fosse fonte verídica de supostos fatos. Como disse um proeminente filósofo, “as pessoas apenas adjetivam e querem fazer valer suas opiniões sem reflexões profundas”.
A verdade é que as pessoas deste mundo globalizado e individualista têm necessidade de serem ouvidas. Há uma enorme carência coletiva de falar. O desafio é ouvir, aliás, muito desafiador que o ouvir é o escutar. Como pastor eu não apenas ouço, mas escuto.
Para uma sociedade extremamente virtual, sinestésica e que recebe muitas informações de todos os lados, escutar não é uma tarefa realmente fácil.
Escutar tem a ver com o estado de espírito. Para eu escutar alguém preciso estar livre de ansiedade, e o que esse mundo mais tem é gente ansiosa.
O ideal mesmo como disse alguém é que na maior parte das discussões devêssemos ter reações bovinas: “hummm....uuhummm....uhmmm”. Você em silêncio lança a dúvida se é uma pessoa brilhante ou estúpida. Ao abrir a boca poderão constatar o que realmente você é.
A palavra de Deus diz o seguinte: “Até mesmo o tolo passará por sábio, se conservar sua boca fechada; e, se dominar a língua, parecerá até que tem grande inteligência.” Provérbios 17:28. Vemos aqui a sabedoria do silêncio. O filósofo e matemático francês Blaise Pascal disse: “A maior parte dos problemas do homem decorre de sua incapacidade de ficar calado.” A minha avó dizia: “Em boca fechada não entra mosquito.”

A passagem bíblica que menciono acima é um sábio conselho de um pastor mais maduro a um jovem pastor. Evite discussões desnecessárias! Não seja ansioso para fazer valer suas opiniões ou até mesmo se justificar.
A versão NTLH diz o seguinte nos versículos 23 a 26: “Fique longe das discussões tolas e sem valor, pois você sabe que elas sempre acabam em briga. O servo do Senhor não deve andar brigando, mas deve tratar todos com educação. Deve ser um mestre bom e paciente, que corrige com delicadeza aqueles que são contra ele. Pois pode ser que Deus dê a eles a oportunidade de se arrependerem e de virem a conhecer a verdade. E assim voltarão ao seu perfeito juízo e escaparão da armadilha do Diabo, que os prendeu para fazerem o que ele quer.”

Fica evidente que a questão não é debater, mas o que, com quem debater e o propósito deste debater.  Como cristãos, servos de Deus devemos seguir esse sábio conselho de Paulo:

1.A discussão é tola e sem valor? Agregará alguma coisa ou vai acabar em briga?

2.Você vai tratar com educação ou vai “perder a linha”?

3.Se é algo contra você, corrigirá com delicadeza ou não?

Observe que o propósito final sempre é ganhar o outro (oportunidade; arrependimento; conhecimento da verdade). Se elas estão na armadilha do diabo, você não precisa cair também. Evite discussões. Seja menos ansioso para falar o que pensa e seja servo do Senhor. Aprendamos a escutar!

No amor de Cristo,
Rodrigo Rodrigues Lima

Pastor