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domingo, 19 de fevereiro de 2023

19/02/2023 - A visita dos magos e a adoração a Jesus - Mateus 2:1-12


A visita dos magos e a adoração a Jesus

Mateus 2:1-12 

No episódio de hoje veremos o que a adoração a Jesus pode promover na vida das pessoas que estão no caminho da adoração a Jesus. Temos aqui a história dos magos do Oriente que vão ao encontro do Rei dos judeus para adorá-lo. Identificamos nessa passagem o que a adoração a Jesus promove na vida de Herodes, dos religiosos e dos magos. O que a adoração a Jesus tem promovido em sua vida? É o que refletiremos nesse episódio do evangelho.

1. A adoração a Jesus abala o poder (v.1-7)

Herodes era um homem abusador. Ele era conduzido pelo poder. Seu deus era o poder. Quem tem o poder por deus, se torna um abusador. Como um abusador, ele foi capaz de matar duas esposas e três filhos para fazer a manutenção do seu trono. De certa feita Augusto disse que era melhor ser um porco de Herodes que um filho seu. Vejamos mais sobre ele:

Herodes reina sobre a Palestina (v.1). Porém, não é um rei legítimo. O Império Romano dominava sobre aquela região e permitia a existência de governantes nativos vassalos de Roma. Sendo um político hábil, sobrevivendo às lutas pelo poder e mostrando lealdade a Marco Antônio e à Cleópatra, o senado romano aprovou o ofício real de Herodes, mas ele obteve o controle de maneira forçada usando o poder das armas. Seu reinado foi uma imposição. Governou o país de 37 a 4 a.C.; Herodes fica alarmado (v.3). Por que Herodes e os moradores de Jerusalém ficam alarmados? a) Ele era idumeu. Herodes não é descendente de Davi, como deveriam ser os reis dos judeus. Ele era descendente de Esaú e não de Jacó, por isso, mesmo não era visto com bons olhos pelos judeus; b) Moradores se ressentiam da tirania de Herodes e de sua submissão ao Império Romano. A administração de Herodes se caracterizava por polícia secreta, toques de recolher e altos impostos. Jerusalém era um importante centro comercial; e os magos provavelmente vieram acompanhados por um cortejo de grande tamanho, pois toda a cidade notou a presença deles; c) Magos eram temidos por reis (v.2). Os magos eram astrólogos e liam as estrelas como maneira de prever o futuro. Para os antigos, os cometas e as estrelas cadentes prediziam a queda de reis, e Herodes conhecendo bem as correntes de pensamento no Império Romano, não tem outra opção a não ser ficar alarmado porque os magos do Oriente querem adorar ao recém-nascido Rei dos judeus; Herodes busca a Palavra para fins políticos (v.5-7). Herodes convoca os principais sacerdotes e escribas. Seu interesse não é espiritual, mas político. A aproximação de Herodes junto aos líderes religiosos não era espiritual, mas interesse pela manutenção do poder.

O que podemos aprender ao observar os sentimentos e os movimento de Herodes?

a) A adoração cristã e o poder humano não combinam. Infelizmente, até no meio religioso podemos espiritualizar o poder e roubar a essência da adoração a Jesus. Líderes devem tomar cuidado com o poder. Patrões cristãos devem tomar cuidado com o poder. Pais devem tomar cuidado com o poder. Todos nós precisamos tomar cuidado com o poder. O poder traz empoderamento e pode te tornar um deus. É mais fácil ser deus do que amar a Deus. Em nome de Deus já vi muitas coisas ruins acontecerem. Frases do tipo “Deus está vendo...”; “Deus mandou dizer...Eu sou o ungido do Senhor! Não me toque.” e tudo com o propósito de manipular e intimidar pessoas. É mais fácil controlar as pessoas do que amá-las, e no ambiente religioso isso é como praga em um solo fértil. Muitos cristãos que construíram impérios para si foram incapazes de dar e receber amor. O interesse é a manutenção do poder e não o amor sincero. Líderes ferindo pessoas em nome do poder! Mas, vejamos o que Jesus, “o ungidão” diz a respeito disso em Marcos 10:42-45. b) O verdadeiro Rei está no trono do universo. Embora Herodes, como um rei abusador, tente agir politicamente para fazer a manutenção do seu poder, sendo capaz de matar crianças inocentes (v.16), acima de Herodes e de todos os governantes do mundo está um Deus poderoso e “É Ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis; ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos inteligentes.” (Daniel 2:21). A igreja não deve temer governos e reis, pois a Palavra final é do Senhor. Por que temer? “Deus reina sobre as nações; Deus se assenta no seu santo trono.” (Salmo 47:8). Devemos tomar cuidado com aqueles que se aproximam da igreja apenas para fazer a manutenção do poder político. O fim de Herodes foi hidropisia e um câncer de intestino, mas Jesus Reina para sempre!

2. A adoração a Jesus é indiferente para os religiosos (v.4-6)

Os religiosos são manipuladores. Eles eram conduzidos pela manipulação por meio de posição privilegiada. Seu deus era a posição exaltada. Quem tem a posição exaltada por deus, se torna manipulador. Os principais sacerdotes eram os saduceus que detinham maior influência política, por isso controlavam o sacerdócio. Os escribas eram profissionais que interpretavam as leis e a maior parte deles pertenciam à seita dos fariseus; esses homens conheciam as Escrituras, mas não agiram com base na verdade. (v.5). Eles respondem a Herodes onde deveria nascer o Cristo que é em Belém da Judeia. Jerusalém fica a cerca de 10 km de Belém! Eles não precisavam mais do que 1 hora de caminhada para ter um encontro com o Messias. Embora conhecessem as Escrituras, não tinham expectativas reais quanto ao Messias. Eles estavam tão pertos, mas ao mesmo tempo tão longe!

O que podemos aprender ao observar os religiosos?

a) É possível se envolver com as coisas de Deus e ser reprovado por Jesus. Eles eram os responsáveis pelos ritos e pela religião em Israel. Eles tinham acesso às leis e as interpretavam, mas não tinham mais um coração quebrantado diante de Deus. Jesus os alertará futuramente: “Hipócritas! Bem profetizou Isaías a respeito de vocês, dizendo: Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram ensinando doutrinas que são preceitos humanos.” (Mateus 15:7-9); b) Pode-se estar tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe de Jesus. (v.5) Jesus estava a cerca de 10 km dos principais sacerdotes e escribas, mas ao mesmo tempo toda a estrutura religiosa e os ritos os impedia de enxergar o óbvio diante de seus olhos. Do mesmo modo, podemos estar tão pertos e ao mesmo tempo tão longe de Jesus. A relação com Deus pode se transformar em meras experiências religiosas ou conhecimento religioso. Muitas vezes estar tão envolvido com as atividades da igreja pode se tornar um empecilho ao encontro real com Jesus. Na verdade, o que acontece no domingo deve ser uma síntese do que acontece na sua semana. O segredo da adoração é amar a Jesus. Você pode fazer isso de forma muito simples: “Jesus, eu vou te amar com o meu trabalho!” “Jesus, eu vou te amar com os meus recursos”. “Jesus, eu vou te amar com os meus amigos”. “Jesus, eu vou te amar com o meu cônjuge”. “Jesus, eu vou te amar com o meu serviço aos irmãos”. “Jesus, eu vou te amar ao próximo amando”. Se não há amor, não existe adoração. Podemos estar tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe de Jesus.

3. A adoração a Jesus move os magos (v.1)

Os magos são gentios. Gentios que vêm à Judeia para honrar o verdadeiro Rei. Eles procuravam o Salvador para adorá-lo. Eles fazem de Jesus o seu Deus. Quem tem Jesus como seu Deus se tornam como Ele é.

Os magos eram, na verdade, astrólogos com habilidades de adivinhação e muito respeitados naqueles tempos entre os gregos e romanos, mas proibidos entre os judeus (Deuteronômio 18:10-12; Isaías 2:6). A astrologia havia se tornado popular por meio da “ciência” do Oriente e todos concordavam que lá vivam os melhores astrólogos. O que observamos no relato de Mateus?

Os magos vieram de longe para adorar o Rei (v.1-2). Observe que eles vieram do Oriente. Uma boa distância para prestarem culto ao recém-nascido. Não mediram esforços para simplesmente se prostrarem diante de uma criança. Os magos foram guiados pela luz do Senhor (v.2). Eles viram a estrela e a mesma as guiou até Jesus (v.10). Os magos seguiram a orientação da Palavra (v.5; 7). Herodes, após consultar a Palavra, os envia a Belém. Os magos ofertaram presentes caros a Jesus (v.11). Eles se prostraram e lhe entregaram ouro, incenso e mirra. Os magos voltaram por outro caminho (v.12). Alertados por Deus em sonho, voltam por outro caminho!

O que podemos aprender ao observar os magos?

a) O adorador não mede esforços para estar na Presença e Jesus. Para aqueles que Jesus é o alvo da jornada, a distância é apenas um passeio para nutrir as expectativas pelo encontro. Existe um esforço na busca, mas, ao invés de peso, o processo da caminhada nutre a expectativa. Algo que os religiosos eram incapazes de perceber, estando tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe. Em contrapartida, os magos estavam tão longe, mas ao mesmo tempo tão perto. b) O adorador é guiado pela luz de Jesus. Existem tantas distrações que tiram o foco da luz. São pequenas luzes. Às vezes, é a luz própria, isto é, a busca por reconhecimento. Às vezes, é a luz de outros, que nos leva à comparação com nossa própria luz, ao invés de olharmos para a luz de Jesus. Só uma luz importa e é a luz de Jesus. É nessa luz que está a sua alegria (v.10) c) O adorador é guiado pela Palavra que aponta para Jesus. A Palavra confirma os passos daquele que tem como alvo a adoração a Jesus. Não existe verdadeira adoração a Jesus, se a obediência e a direção da Palavra não estiverem confirmando os seus passos. d) O adorador entrega o seu melhor a Jesus. Eles entregaram ouro, incenso e mirra. Eram presentes caros. Eles não se apresentaram de mãos vazias na Presença do Rei. e) O adorador não volta pelo mesmo caminho. É impossível ter um encontro com Jesus e voltar ao mesmo andar. Ele nos guia a uma nova jornada. Quem tem um encontro com Jesus se torna nova criatura. As coisas antigas passaram e tudo se faz novo (II Coríntios 5:17).

Quem é você nessa história? Aquele que precisa renunciar ao poder? Aquele que precisa romper com a indiferença? Aquele que é movido à adoração a Jesus? Temos um pouco de cada um, mas Jesus quer ser o centro do Teu coração. Vamos nessa?

No amor de Cristo,

Rodrigo Rodrigues Lima, Pastor

 

domingo, 12 de fevereiro de 2023

12/02/2023 - O nascimento virginal de Jesus - Mateus 1:18-25

 

O nascimento virginal de Jesus

Mateus 1:18-25

Uma das calúnias que os cristãos primitivos tiveram de refutar foi a de que Jesus teria nascido de uma união fora do casamento. Jesus foi caluniado pela acusação de que Ele era o filho ilegítimo de Maria com um homem desconhecido, talvez com um soldado romano da região da Galileia.

Muitos questionavam o porquê de José não relatar o assunto da gravidez às autoridades, ao descobrir que Maria estava grávida quando seu contrato de casamento já estava em vigor. Ser prometida em casamento equivalia ao próprio casamento que só poderia ser anulado mediante divórcio formal.

Mateus registra a resposta. Não se nega que Maria tenha engravidado antes de José ter consumado o casamento; mas se insiste em que, embora como homem honrado ele estivesse plenamente consciente de que deveria tornar público o assunto, evitou fazê-lo, desejando proteger sua desposada de uma publicidade vergonhosa, e começou a encarar a possibilidade de romper secretamente seu compromisso.

Fato é que, negar o nascimento virginal de Cristo é ignorar a Sua divindade. Negar a sua divindade é o mesmo que negá-lo.

Entretanto, Deus insere Maria e José em sua história e eles pagarão um preço sacrificando sua reputação ao obedecer a Deus na realização de Sua vontade. O que Deus quer falar conosco nesse episódio do evangelho de Mateus? O nascimento virginal de Jesus. Os planos de Deus e seus propósitos.

1.As personagens principais da história – Maria e José

a) Maria. Temos poucas informações sobre Maria. Provavelmente ela era natural de Nazaré e veio e uma família relativamente pobre. Ela tinha uma irmã chamada Salomé (Marcos 15:40), a mãe de Tiago e João (que, portanto eram primos de Jesus). Na genealogia de Lucas (Lucas 3:23-38) sabemos que ela era da linhagem de Davi. Também sabemos que Isabel, a esposa de Zacarias e mãe de João Batista era sua parente (Lucas 1:36).

b) José. Temos menos informações ainda sobre José. Ele era homem justo e íntegro (Mateus 1:19). Pertencia à casa e à linhagem de Davi (Lucas 2:4). Era carpinteiro (Mateus 13:55).

A história dessas duas pessoas e a maneira como Deus as insere em sua história nos traz algumas lições preciosas:

I) Deus usa pessoas simples para cumprir seus planos (v.18)

Conforme vemos na pequena biografia de ambos, Deus não procura no palácio de Herodes os pais do Salvador. Também não os encontra entre os nobres de Belém da Judeia. Deus usa gente simples. O evangelho é isso! Deus é Deus de simplicidade. Deus quer inserir você na história Dele e para isso Ele te amolda na simplicidade do Evangelho.

II) Deus usa pessoas piedosas para cumprir seus planos (v.19-20)

A situação é delicada e chocante para José. José não tinha ainda recebido a revelação de Deus sobre a origem do bebê no ventre de Maria, e por isso, procurava uma maneira de deixá-la secretamente. Embora os judeus não tivessem autorização para aplicar o rigor da lei, caso o fizessem, Maria seria condenada à pena de morte por apedrejamento. Entretanto, Deus queria cumprir seus planos e não poderia ser qualquer pessoa. Deus procura pessoas piedosas para cumprir seus mais nobres e grandiosos propósitos. Como é uma pessoa piedosa? a) Ela é longânime (v.20). José não agia sem refletir. Ele ponderava numa maneira de não prejudicar Maria. Ele era capaz de sofrer o dano; b) Ela é justa segundo Deus (v.19). Observe que ele não queria envergonhá-la publicamente. José não estava movido por vingança. Vemos nele um homem bondoso, abençoador e protetor. c) Ela é espiritual e sensível a Deus (v.20; 24). José foi capaz de discernir a voz de Deus em meio àquela aflição. Pessoas piedosas enfrentam a pressão e as circunstâncias difíceis, mas possuem intimidade suficiente para serem capazes de obedecer a voz de Deus até mesmo quando parece um absurdo irracional. Deus está à procura de pessoas piedosas para revelar e cumprir seus planos. Maria era uma mulher temente a Deus. Ela era piedosa! O que aprendemos com Maria sobre ser uma pessoa piedosa? a) Ela se oferece em rendição total à vontade de Deus. (Lucas 1:38). Ela responde ao anjo: “Aqui está a serva do Senhor; que aconteça comigo o que você falou.” Você quer viver os planos de Deus e experimentar a Sua vontade? O evangelho nos ensina que é na rendição total à Ele. É dizendo: “Aconteça comigo o que você falar”. Renunciando à própria reputação, Maria se entregou à vontade de Deus. É esse tipo de pessoa piedosa que Deus procura para revelar seus planos. b) Ela era virgem (Mateus 1:23). Outra prova de obediência e vida piedosa do casal era a virgindade. Deus dá grande valor à pureza sexual. Veja que, embora fossem prometidos um ao outro em contrato de casamento, não houve relações até mesmo depois do casamento enquanto Jesus não nascesse. Que força de caráter e piedade! Deus está à procura de pessoas piedosas para revelar e cumprir seus planos.

Vemos em Maria e José um exímio exemplo de obediência para realizar a sua vontade por meio de pessoas simples e piedosas. A maior tragédia da vida humana é bençãos divinas perdidas por causa da desobediência.

2. O nascimento virginal de Jesus

O nascimento virginal de Jesus tinha um único propósito conforme está relatado no verso 21 que diz: “Ela dará à luz um filho e você poderá nele o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles.” Aleluia! Vejamos os aspectos e implicações do nascimento virginal de Jesus:

I) Foi concebido por obra do Espírito Santo (v.18b; 20b)

O credo apostólico nos ensina: “Creio em Deus Pai Todo Poderoso Criador dos céus e da terra; E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor; O qual foi concebido por obra do Espírito Santo; Nasceu da virgem, Maria [...].” Para a igreja primitiva e para os pais da igreja nos primeiros séculos, esse foi um tema debatido e combatido, mas necessário ser defendido. Por quê? Por que o diabo sempre trabalhou para combater o nascimento virginal de Jesus? Valendo-me de Wayne Grudem (Teologia Sistemática): a) O nascimento virginal de Jesus mostra que a salvação em última análise deve vir do Senhor. É um lembrete inequívoco de que a salvação jamais pode vir por meio de esforço humano, mas que deve ser obra do próprio Deus. Vejamos Gálatas 4:4-5. Não há glória humana! A salvação é mérito de Jesus desde a Sua concepção como Salvador dos homens. b) O nascimento virginal de Jesus possibilitou a união da plena divindade e da plena humanidade em uma só pessoa. Se Jesus tivesse simplesmente aparecido no céu sem ter sido gerado, teríamos dificuldade em vê-lo como plenamente humano e não faria parte da raça humana que descende fisicamente de Adão. Deus poderia ter feito Jesus entrar no mundo por meio de genitores humanos (pai e mãe) e em algum momento de sua vida receber a natureza divina, mas teríamos dificuldade em vê-lo como plenamente Deus.  

II) Atesta que a Palavra de Deus é confiável (v.22-23)

Os judeus estavam incrédulos quanto ao nascimento virginal de Jesus. Mateus é zeloso e prova com as Escrituras que a virgem conceberia. Estamos numa era em que a Palavra de Deus está sendo vilipendiada e posta à prova. Até mesmo dentro das igrejas ela está sendo dissecada e questionada. Além disso, as circunstâncias da vida de crentes de longa data os levam a duvidar da Palavra de Deus. Entretanto, o nascimento virginal de Cristo foi previsto nas Escrituras. Atesta a inspiração bíblica como Palavra do Senhor. Deus não é homem para mentir e nem filho do homem para se arrepender (Números 23:19). Suas promessas são infalíveis (I Reis 8:56). Deus vela por Sua palavra para cumpri-la (Jeremias 1:1-2). E com toda certeza, Ele não as cumpre segundo à nossa vontade e querer, mas segundo a Sua soberana, boa, agradável e perfeita vontade (Romanos 12:2). Lembremos que a Palavra se cumpriu integralmente na vida de um homem e uma mulher causando-lhes inicialmente um desconforto tremendo. Mas, eles puderam conhecer e revelar o Senhor. O propósito de Deus em cumprir sua fiel Palavra não é para nos trazer conforto, mas se revelar a nós e através de nós como Deus poderoso em nossas vidas.

III) Revela que Ele é Deus conosco (v.23)

No Antigo Testamento é prometido que Deus estaria presente com o Seu povo para garantir seu destino e aliança. Naqueles tempos o povo de Deus contava com o Tabernáculo e o Templo, destinados como símbolos da Presença Divina no meio deles. Vejamos Êxodo 40:34-35. Observe alguns detalhes dessa passagem. A palavra Shekinah é traduzida em português como “nuvem permanente” e a palavra Tabernáculo significa lugar de habitação ou moradia. Quando Deus se manifestava no Tabernáculo, isto é, no lugar de habitação, a tenda do encontro, uma nuvem permanecia, isto é, uma referência à Sua glória. Entretanto, ele não permanecia todo o tempo e ninguém poderia permanecer ali. Porém, no cumprimento dos tempos, diz João: “E o verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio e graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.” (João 1:14). A palavra grega para “habitou” é skenoo que significa “fixar o tabernáculo, ter o tabernáculo, permanecer (ou viver) num tabernáculo”. Ele é Emanuel, Deus conosco! Deus veio para fixar habitação entre nós e em nós.

Observe que o nascimento virginal de Jesus não é um mero evento na história, mas um marco na eternidade. Vimos que esse plano revela o padrão de Deus em realizar seus propósitos com gente simples, mas piedosa e obediente. Também revela a nós o poder do Espírito Santo, o quanto podemos confiar na Palavra infalível de Deus e seu desejo de habitar entre nós. Nos voltemos para esse Deus.

No amor de Cristo,

Rodrigo Rodrigues Lima, Pastor

domingo, 5 de fevereiro de 2023

05/02/2023 - A genealogia de Jesus, O Rei - Mateus 1:1-17

A genealogia de Jesus, O Rei

Mateus 1:1-17

Vivemos numa geração que tem “cristianizado” ensinos e ritos do Antigo Testamento. Além disso, atualmente há uma expectativa equivocada de que o Reino de Deus se estabeleça em nações por meios políticos e sob o governo da igreja. Jesus não permitiu que isso acontecesse quando os judeus quiseram proclamá-lo rei. Esperava-se um messias político que os libertaria das garras do Império Romano, mas Jesus frustrou os seus planos. Então, como devemos atuar como agentes desse reino hoje?

Mateus vivia os desafios que enfrentamos hoje, isto é, a tentativa misturar ritos judaicos com a fé cristã, a mistura do cristianismo com práticas pagãs de outras religiões e a confusão quanto ao modo que os cristãos deveriam viver e se relacionar com a sociedade. O Reino de Deus é de uma lógica completamente invertida e perceberemos isso à medida que avançarmos a cada episódio da vida de Jesus e de seus ensinamentos.

O evangelho de Mateus oferece para a igreja cristã de todos os tempos três ferramentas indispensáveis: a) A defesa do evangelho contra a tentativa de judaizar a mensagem da graça, ou seja, usar ritos e ensinos da lei como meios para a salvação e a vivência da fé cristã, o que não cabe mais; b) Instruir os convertidos de todas as eras em como viver vida cristã sob os princípios e valores do Reino, de acordo com as atitudes e as palavras de Jesus; c) Como fazer um culto no qual Jesus é o centro da verdadeira adoração.

Mateus apresenta em todo o evangelho que Jesus é “O Messias” e que o Seu reino foi inaugurado. Assim nos perguntamos: Como vivem os súditos desse reino? Quais são os princípios éticos e a vida do Reino? Qual é a missão desse reino sob o governo do Messias? Quais as implicações desse reino entre nós? Como as pessoas do reino se relacionam entre si? Qual é o futuro desse reino? É o que nos propomos a expor ao longo deste ano.

No episódio de hoje abordaremos sobre a necessidade de uma genealogia. A genealogia era importante para os judeus. Era necessário comprovar que uma pessoa era de determinada linhagem, para que tivesse acesso à propriedade, herança, legalidade e direitos.

Se Mateus tem o propósito de revelar Jesus como o Cristo (Messias) e o Rei dos judeus, alguém com acesso a propriedade, herança, legalidade e direitos nesses termos de Rei, ele começa o seu evangelho mostrando a linhagem de Jesus a partir da linhagem real de Israel. Se Jesus é rei, deve haver provas de que Ele vem da família real reconhecido. Identificaremos aspectos da graça de Deus lições importantes a respeito da genealogia de Jesus.

 1.    Deus é o Senhor da história e tem propósitos eternos (v.17)

A graça de Deus é vista na história de três eras. É a história de Deus com o seu povo que nos traz aspectos importantes até à chegada do Messias.

Primeiro, o período de Abraão a Davi, marca a história primitiva. Foi o período dos patriarcas, e de Moisés, Josué e os juízes. Foi um período de peregrinação, de escravidão no Egito, de libertação, de tomada de aliança, estabelecimento da lei, conquistas e vitórias. Tudo isso apontava para Jesus. Moisés era um tipo de Cristo. A libertação da escravidão do Egito por Moisés apontava para a libertação da escravidão do pecado por Jesus. A antiga aliança preparava caminho para a nova aliança.

Segundo, o período de Davi até o cativeiro babilônico. Foi marcado pela monarquia com reis que, em sua maioria, conduziu o povo para longe de Deus e os colocou em apuros. Foi um período de declínio, apostasia e tragédia. Houve derrotas, conquistas, exílio, destruição de Jerusalém e do Templo. Apenas Davi, Josafá, Ezequias e Josias revelaram aspectos de uma fé em Deus. Entretanto, de Davi descenderia o rei cujo reinado será justo e eterno.

Terceiro, o período do cativeiro babilônico até o tempo de Cristo. Tempo de cativeiro, frustração e silêncio da parte de Deus. Um período envolta de grandes trevas. Foi a era das trevas de Israel.

É através da história do povo de Israel que Deus envia o nosso Salvador. É assim que o Messias continua irrompendo, invadindo subitamente e com ímpeto na história humana. Todos têm uma história de escravidão, e derrotas pelo pecado, de silêncio divino, e então, Ele entra na história de nossas vidas para ser o Deus Conosco! Deus é o Senhor da história e tem propósitos eternos!

 2.    Jesus se identifica com a humanidade para resgatá-la (v.1; 4-5)

Jesus é descendente de Davi. Quero destacar aqui a história do pecador Davi. Ele pecou terrivelmente ao cometer adultério com Bate-Seba e depois piorou a situação mandando matar Urias, seu esposo, para se casar com ela. Ele foi um guerreiro que matou muitos homens, o que lhe impediu de construir o templo (I Crônicas 22:8). Davi fracassou como pai. Seus filhos lutavam e matavam por poder. Jesus é descendente de Abraão. Embora um homem de fé, mentiu duas vezes sobre a sua esposa. Trouxe vergonha para Sara, para si e para Deus.

Um olhar mais atento sobre os descendentes de Abraão e de Davi, veremos que foram pessoas marcadas por infidelidade, imoralidade, idolatria e apostasia.

Além desses dois homens importantes na história dos judeus, Mateus inclui quatro mulheres de outras nações na genealogia.

Jesus é descendente de Tamar (Gênesis 38). Uma mulher estrangeira, viúva do filho primogênito de Judá, que engana seu sogro Judá, vestindo-se de prostituta para se deixar com ele e garantir a descendência do seu falecido esposo. Isso nos lembra do fracasso de Judá. Jesus é descendente de Raabe (Josué 2). Outra mulher estrangeira, que por profissão era prostituta e que havia protegido espias israelitas. Deus não apenas a poupou na destruição de Jericó como a colocou na linhagem messiânica, sendo mãe de Boaz que foi bisavô de Davi. Jesus é descendente de Rute, moabita (Rute 1:4). Ela renunciou a sua fé pagã para seguir Noemi e fez do Deus de sua sogra o seu Deus. Ela se tornou a bisavó do grande Rei Davi. Jesus é descendente de Bate-Seba (II Samuel 11). Apenas mencionada na genealogia como “aquela que tinha sido a mulher de Urias” (Mt 1:6).

Perceba que Jesus entra na história através de homens e mulheres com vidas marcadas pelo pecado. Vemos claramente a graça de Deus atuando e comunicando que Jesus veio para salvar e resgatar o que estava perdido. Talvez sua história seja de abominações e segredos que ninguém pode imaginar. Talvez você esteja carregando culpas passadas! Observe que Deus não ocultou a vida pregressa dos descendentes do Messias para revelar a Sua Graça, em que homens e mulheres com a vida marcada pelo pecado tiveram o privilégio de terem em sua descendência o Salvador da humanidade. Jesus se identifica com a humanidade para resgatá-la.

 3.    Jesus nasce de uma mulher (v.16)

Enquanto Mateus apresenta a genealogia de José, o pai de Jesus aos olhos da lei, Lucas dá a genealogia de Maria. Maria e José eram descendentes diretos de Davi. Para que se cumpra a promessa no que é chamado de protoevangelho, que é a primeira comunicação de Deus aos homens a respeito da salvação, conforme está escrito em Gênesis 3:15: “Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela. Este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar.” Jesus é o descendente aqui mencionado! Em Gálatas 4:4 Paulo destaca “Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher...”. Por que ele diz isso? Jesus é divino (como Filho de Deus) e humano como filho de Maria. Portanto, a divindade, a humanidade e a justiça de Cristo o qualificaram de maneira especial para ser o redentor do mundo.

 4.    Jesus é o Cristo (Messias) (v.1)

Na língua hebraica “mashah” significa unção. No Antigo Testamento, quando se separava uma pessoa para os ofícios de sacerdote, profeta ou rei, lhe ungia a cabeça com óleo da unção. Ninguém poderia oferecer um sacrifício aceitável a Deus pelos pecados dos homens, ou ministrar as coisas santas se não fosse um sacerdote ungido de Deus. Ninguém poderia promulgar leis justas e governar o reino com poder e autoridade se não fosse um rei ungido de Deus. Ninguém poderia profetizar e conduzir o povo aos ensinos da aliança se não fosse um profeta ungido de Deus.

Porém, o povo de Israel espera por um “Mashiach”, que significa a pessoa ungida. Eles aguardavam o único homem digno de ocupar os três ofícios, o único digno do título de Mashiach. O Antigo Testamento prometia a vinda do Justo Servo do Senhor (Isaías 42:1-9), que seria um profeta como Moisés (Deuteronômio 18:18-19), um sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (Salmo 110:4) e um Rei como Davi e seu reinado será eterno (Isaías 9:7). Jesus é o ungido que acumula os três ofícios. Ele é o Cristo (Messias). Só Ele é o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores: o rei que governa o universo e o coração dos seus discípulos; Ele é o profeta, para instruir os homens no caminho por onde devem ir; Ele é o grande sumo sacerdote, para fazer expiação por nossos pecados. Mateus revela que Jesus é o Cristo, o prometido Rei e Libertador. Poderosa compreensão da genealogia de Jesus!

No amor de Cristo,

Rodrigo Rodrigues Lima, Pastor


domingo, 10 de outubro de 2021

SOMENTE O EVANGELHO! - SÉRIE REDESCUBRA O SEU PROPÓSITO

SOMENTE O EVANGELHO - GÁLATAS 1:11-24

 

Somente o Evangelho

Gálatas 1:11-24

 

Há menos de quatro anos, Bashir Mohammad, de 25 anos, defendia a milícia islâmica Frente Al-Nusra na guerra civil da Síria. Hoje, ele se define como um "jihadista que se voltou para Jesus".

Mohammad cresceu em uma família muçulmana na região curda de Afrin, no norte da Síria. Na adolescência, ele foi encorajado por seu primo a se aprofundar um pouco mais nas mensagens proferidas por pregadores jihadistas e passou a seguir as interpretações radicais do Islã.

Mais tarde, ele se juntou às forças curdas que atuavam na guerra civil da Síria e ficou impressionado com as mortes que testemunhou. "Quando vi todos aqueles cadáveres, passei a acreditar em todas as coisas que eles me ensinaram nas palestras. Isso me fez buscar a grandeza da religião”, ele contou ao site The New York Times.

Mohammad foi convidado por um amigo para se juntar a Frente Al-Nusra, grupo extremista ligado à al-Qaeda. No extremismo islâmico, ele testemunhou torturas e viu prisioneiros sendo esmagados por seus colegas com uma escavadeira.

“Eles costumavam nos dizer que essas pessoas eram inimigas de Deus e, então, passei a olhar positivamente sobre essas execuções”, disse Mohammad.

Por um tempo, Mohammad foi doutrinado na filosofia do grupo e presenciou o genocídio em ambos os lados da guerra. “Fui a Nusra em busca do meu deus. Mas depois que vi muçulmanos matarem muçulmanos, percebi que havia algo errado”, confessa.

O primo que incentivou Mohammad a se aprofundar nos ensinamentos jihadistas se tornou um cristão convertido e voltou a influenciar o jovem sírio. Quando a esposa de Mohammad, Hevin Rashid, ficou gravemente doente em 2015, o casal recebeu ajuda de seu primo através de um grupo de oração Intrigado, Mohammad procurou um missionário evangélico chamado Eimad Brim, que o evangelizou e acompanhou seu processo de conversão. Ele e sua esposa se sentiram amados dentro da igreja e tiveram experiências profundas com Deus.

Sua saída do grupo jihadista tornou Mohammad um novo inimigo dos ex-colegas fundamentalistas. Ele teme não estar seguro, mas deposita sua confiança em Deus. "Há uma grande diferença entre o deus que eu costumava adorar e Aquele a quem eu adoro agora", disse Mohammad. "Antes eu adorava com medo. Agora tudo mudou”.

O fato que relato na introdução desta mensagem parece bem o que define um deja vu de outro fato bíblico. A história de Paulo, o apóstolo dos gentios. Pelo fato de se tornar um apóstolo a gentios, ele será acusado por judeus cristãos de que seu evangelho não é verdadeiro. Podemos deduzir pela resposta de Paulo que ele trata de possíveis questionamentos tais como: a) Qual é a origem do evangelho de Paulo para que ele possa julgar o que pregamos? b) Será que Paulo está pregando um evangelho que não tem aprovação dos apóstolos de Jerusalém? c) Será que sua mensagem é genuína? Com isso, eles diziam que Paulo não era um apóstolo e que sua mensagem não era genuína. Eles afirmavam que a mensagem pregada por Paulo era pirateada, aprendido de homens e não do próprio Deus.

Por isso, Paulo após denunciar o falso evangelho desses falsos mestres, em seguida afirmará: “Mas informo a vocês, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é mensagem humana porque eu não o recebi de ser humano algum, nem me foi ensinado, mas eu o recebi mediante revelação de Jesus Cristo.” (Gálatas 1:11-12). Paulo poderia dizer: “Eu o preguei”, mas “não o inventei”. Ele afirma com toda veemência que o evangelho questionado pelos judaizantes (falsos mestres) não era fruto de sua cabeça e que homem nenhum o ensinou, mas foi fruto da revelação do Senhor Jesus. Por que Paulo poderia afirmar que seu evangelho era verdade e falar com tanta convicção que o Evangelho por ele pregado não poderia ter aprendido de homens e não poderia ser fruto de sua imaginação?

1.Somente o evangelho é capaz de transformar fanáticos legalistas, descrentes e improváveis (v.13-14)

Muito mais do que descrever sua conversão, Paulo está fazendo uma defesa do evangelho que prega. Os judaizantes o acusavam de pregar um evangelho fácil, uma vez que não os obrigava a cumprir ritos judaicos para a salvação, por isso, diziam que a lei era necessária para tornar o evangelho mais sério e comprometido com uma conduta correta. Porém, ele mesmo era um fiel cumpridor de regras e ritos que não lhe foram suficientes. Portanto, para revelar o quanto o evangelho foi mais poderoso do que a lei e ritos judaicos, Paulo descreve como era antes de sua conversão. Veja comigo Atos 26:4-5; 9-11. Ele era um fanático dominado pelo que acreditava como esses radicais islâmicos que vemos hoje, completamente dedicado ao judaísmo de forma radical, perseguindo a Cristo e a igreja. Um homem nestas condições mental e emocional de maneira nenhuma mudaria de opinião, e muito menos se deixaria influenciar por qualquer pessoa que seja. Nenhuma técnica psicológica seria capaz de mudar a Paulo. Eis aqui uma evidência do poder da mensagem do Evangelho. Que lições e princípios podemos extrair? I) O Evangelho é tão poderoso que alcança os inalcançáveis aos olhos humanos. Não há ninguém que a mensagem do Evangelho não possa alcançar. Então você pode dizer: “Mas, foi o próprio Deus que alcançou Paulo”. Isso mesmo! É por essa razão que ele diz aos judaizantes que, sendo ele um zeloso cumpridor de regras, a mensagem do Evangelho foi muito mais poderosa, sendo o próprio Deus que o alcançou e que homem nenhum poderia ter feito isto. Por isso, a graça não pode ser tida como fácil! O Espírito Santo está trabalhando na vida das pessoas sem Cristo. Nossa missão é anunciar essa mensagem e deixar o restante por conta de Deus.  II) O Evangelho é tão poderoso que é capaz de fazer o que a lei não faz. A lei está sempre perguntando: “O que devo fazer?”, mas a graça está sempre perguntando: “O que Jesus fez por mim”? Há alguém que você conheça que seja improvável aos seus olhos, um legalista ou descrente aparentemente impossível de ser alcançado? Talvez você se sinta muito condenado pelo seu passado. Veja, a graça revela o que Jesus fez por mim e por você e isso é o suficiente. Paulo dirá: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê...”, logo não é para aquele que merece, mas crê, por isso, ainda dirá: “Porque a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá pela fé” (Romanos 1:16-17)! Jesus vai ao encontro do mais terrível pecador e do mais resistente.

2.Somente o evangelho pode mudar o curso de nossa vida para propósitos maiores (v.15-16)

Ainda na sua linha de argumentação em provar aos judaizantes e demais irmãos que sua mensagem não provinha de homem algum ou mesmo de sua cabeça, Paulo afirma a total e exclusiva ação de Deus através do Evangelho que o alcançou e mudou o curso de sua história por pura ação divina. Ele afirma que foi separado por Deus antes do seu nascimento, e que pela graça recebeu o chamamento quando teve revelação de Cristo, e tudo isso sem participação de homem nenhum, pois, conforme vimos anteriormente era praticamente impossível algum homem convencer a Paulo. Com isso, ele mostra que nenhuma explicação humana justificaria o grau de sua transformação. Quem era esse homem? Um trem desgovernado! John Stott, imagina Paulo dizendo o seguinte: “No meu fanatismo eu me inclinava a perseguir e destruir, mas Deus (que eu havia deixado fora das minhas cogitações) me prendeu e alterou meu impetuoso curso”. O que podemos extrair de princípios para as nossas vidas a respeito do poder do evangelho? I) Deus tem um propósito em Cristo antes da existência de qualquer ser humano que vier crer Nele. Não cremos que Deus escolhe as pessoas para a salvação, mas cremos que todas as pessoas que vierem a crer em Cristo, há um propósito bem definido por Deus para o curso de suas vidas a partir de sua conversão. Seu propósito consiste em que, todos aqueles que vierem a crer em Cristo, se tornem seus filhos! Os filhos desfrutam da herança! Os filhos recebem perdão! Os filhos têm seu passado perdoado! Isso não tem a ver com nossa capacidade e os nossos méritos! Antes de você nascer Deus já tinha um propósito. Por isso, todos aqueles que passam a crer em Cristo, podem desfrutar desse poder que muda o curso de nossa vida para propósitos maiores. II) Sempre será por graça que Ele chamará. Ele nos chamou por seu favor imerecido. Ele chamou Paulo, aquele que matou muita gente. Você quer viver um novo curso em sua vida para propósitos maiores? Se entregue à graça de Deus! III) Cristo será revelado através da sua vida. O que significa “revelar seu Filho em mim”? Significa experimentar a mente e o coração de Jesus dentro de você, ganhando a sua perspectiva e seus sentimentos refletindo isso ao seu redor. Ele está escrevendo uma linda história de amor em sua vida e outros estão lendo o que o favor de Deus pode fazer na vida de uma pessoa!

3.Somente o evangelho pode explicar a nossa transformação e nos fazer enfrentar o passado (v.17-24)

Paulo mais uma vez argumenta a favor de sua mensagem para provar aos gálatas que o que ele pregava tinha sido dado diretamente por Deus. Vejo um princípio poderoso aqui. Certamente a maioria de nós não teve essa experiência tão forte de Paulo, mas há lições preciosas quanto a tornar um cristão maduro na fé enquanto caminhamos com Cristo e crescemos na graça e no conhecimento Dele. Quando você começa a sua vida com Cristo, é necessário que você busque entender o que Ele está fazendo em sua vida e em sua história. Não é simplesmente mudar de religião, mas é deixar Jesus assumir o leme da sua vida e conduzir o navio ao porto seguro da salvação. Precisamos sim ter mentores e discipuladores, mas nada substituirá a tua íntima relação com Cristo. Paulo provará que ele não recebeu o evangelho de homem algum, agora descrevendo seus passos de crescimento no evangelho e amadurecimento na fé sob três circunstâncias: a) Três anos isolado na Arábia (v.17-18a). É muito provável que ele foi para a Arábia em busca de quietude e solidão. Cremos que foi justamente nesse período de isolamento que ele recebeu a revelação do Evangelho. Ele estudou aos pés de Gamaliel, matou em nome da fé judaica, era extremamente intelectual, haja vista sua capacidade de debater no Areópago com filósofos gregos em Atenas. Da noite para o dia, tudo o que ele acreditava não era verdade. Ele precisava desse isolamento. Ele fica três anos no deserto. Os discípulos de Jesus ficaram com Ele três anos. Esse deserto foi uma oportunidade para: rever conceitos; firmar sua nova identidade; ouvir a Deus antes de ouvir a homens; estar com Deus! b) Foi para Jerusalém (v.18-19). Aqui ele argumenta que só foi de passagem para conhecer Pedro pessoalmente, mas que a mensagem do Evangelho não havia aprendido com Pedro. Não seria tempo suficiente para ele aprender o evangelho que pregava com esses homens, por isso, seu evangelho não veio dos apóstolos em Jerusalém. Mas, há uma lição aqui. Ele precisa enfrentar o seu passado. Quando você entrega a sua vida a Jesus, você volta para o trabalho, se encontra com pessoas da vida velha e precisa lidar com isso. Nesse sentido, o deserto ou o tempo de reflexão é importante para que você confirme a sua experiência! c) Foi para Síria e Cilícia (v.21-23). Ele não volta para essa região porque quer, mas porque é perigoso ficar em Jerusalém. Nessa região fica a cidade natal de Paulo, Tarso. Ele precisa agora enfrentar a sua cidade natal! Ele vai enfrentar amigos de infância e juventude, mas todos verão e dirão a respeito de sua mudança, e sobretudo, glorificarão a Deus a seu respeito. Esse é o poder do Evangelho.

Em Cristo,

Pastor Rodrigo Rodrigues Lima

 

domingo, 3 de outubro de 2021

A MAIOR INIMIZADE, A MAIOR PAZ E A MAIOR UNIÃO DO MUNDO! - SÉRIE REDESCU...

A MAIOR INIMIZADE, A MAIOR PAZ E A MAIOR UNIÃO DO MUNDO - Efésios 2:11-22

 

A MAIOR INIMIZADE, A MAIOR PAZ E A MAIOR UNIÃO DO MUNDO

Efésios 2:11-22

Talvez, um dos mais emblemáticos eventos do século XX, ainda rememorado por muitos foi a queda dos Muros de Berlim no final da década de 80. O muro era o símbolo da Guerra Fria que dividia a Alemanha e o mundo entre as duas maiores potências do mundo: Os Estados Unidos e a União Soviética. Com o enfraquecimento desse conflito político e ideológico, é que o Muro de Berlim veio a ruir.

Entretanto, hoje vivemos em um mundo que tem dado voz aos seus ressentimentos do passado histórico de preconceitos e exploração econômica. Vivemos o momento das polarizações ideológicas e políticas com muita inimizade. Ao passo que muitos movimentos buscam seus direitos, pontes têm sido destruídas e muros tem sido erguido. Diante de tanta inimizade no mundo, é possível viver em plena paz e harmonia, pelo menos entre aqueles que professam a fé em Jesus Cristo?

Não pretendo resolver os problemas da desunião no mundo com este sermão, mas pretendo trazer quais as expectativas que essa mensagem de Paulo traz a respeito de um povo que foi alcançado pela graça de Deus. Esse trecho da carta de Paulo aos Efésios deveria, pelo menos, centrar os cristãos. Jesus orou: “Não peço somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por meio da palavra que eles falarem, a fim que de que todos sejam um. E como tu, ó Pai, estás em mim e eu em Ti, também eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.” João 17:20-21. Nossa vocação é para sermos o povo da reconciliação e da paz.

Em Efésios 2:1-10 vimos o que Deus fez em nós por meio de Cristo. Estávamos mortos e separados de Cristo, mas por sua rica misericórdia e grande amor, ressuscitamos juntamente com Cristo e fomos salvos pela fé.

Aqui em Efésios 2:11-22 veremos que não apenas fomos reconciliados com Deus por meio de Cristo, mas fomos reconciliados uns com os outros por meio da paz que Cristo trouxe e nos tornamos um só povo, não havendo mais distinção entre gentios e judeus ou qualquer outra distinção diante de Deus. Somos uma mesma família! A maior inimizade foi vencida pela maior paz que trouxe a maior união do mundo. Vamos observar juntos e ouvirmos a Deus para nossas relações sociais na igreja e no mundo. Vamos derrubar os muros de separação e sermos construtores de pontes.

1.    A maior inimizade do mundo (v.11-12)

a)    Eram incircuncisos. Isto é, sem a marca da circuncisão. O povo judeu, o povo eleito, se esqueceram do propósito de sua eleição em Abraão. Deus disse a Abraão: “em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gênesis 12:3). De fato, por ter a revelação de Deus, não era o povo da aliança. Eles não tinham a marca da aliança que é a circuncisão e o povo judeu tratava os gentios, até mesmo os conversos, com desprezo e separação. Um filho judeu que se casasse com uma gentia, tinha um sepultamento simbólico. Um judeu não deveria prestar ajuda a uma gentia grávida para que não incorresse em ajudar na vinda de mais um gentio ao mundo.

b)    Estavam separados de Cristo. Estar sem Cristo significa não ter acesso às bençãos espirituais que Paulo menciona em Efésios 1:3-14. Assim eram os gentios e são todos os que não estão em Cristo.

c)    Separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa. Literalmente alienados, isto é, separados do povo de Deus. Deus havia feito alianças com Noé, com Abraão, Isaque e Jacó, com Moisés e seu povo, mas como gentios e não judeus não participavam dessas alianças. Eram como estrangeiros, forasteiros e alienígenas.

d)    Sem esperança e sem Deus no mundo. As pessoas tinham e tem deuses em excesso, mesmo assim, estavam e continuam sem uma relação pessoal com o que Deus que veio a se revelar em Cristo Jesus.

 

Essa era a maior inimizade do mundo. Dois povos distintos, separados por não serem eleitos e não estarem debaixo da mesma aliança com Deus. Nós estávamos alienados de Deus e alienados do povo de Deus. Havia um muro de separação. Como isso se aplica hoje?

 

Em Efésios 2:1-3 as pessoas estão mortas espiritualmente porque estão separadas de Deus, portanto, essa amostra de Paulo quanto a separação de gentios e judeus, a inimizade cultivada, revela que a morte espiritual tem trazido morte nos relacionamentos. Vamos lembrar que o pecado trouxe 4 rompimentos na vida do ser humano no EDEN. Separação de Deus, do seu próximo, de si mesmo e da criação. Assim é o mundo sem Cristo. Os homens ainda edificam muros de separação e divisão, como o muro de Berlim, barreiras de raça, de cor, de castas, de tribos ou de classes, bem como atualmente os muros políticos e ideológicos. A discriminação é uma característica de um mundo de pessoas mortas sem Cristo.

2.    A maior paz do mundo (v.13-18)

Mas Cristo! Assim como o homem estava morto espiritualmente e condenado, mas Deus que é rico em misericórdia e com o grande amor que nos amou nos deu vida juntamente com Cristo, mas em Cristo Jesus, os gentios que eram inimigos do povo de Deus, foram aproximados pelo sangue de Cristo. Ele é a nossa paz! Ele derrubou muros e construiu pontes entre nós e Des e nós e o nosso próximo! Fomos aproximados pelo seu sangue em dois sentidos claros aqui: a) Fomos reconciliados com Deus. Pelo seu sangue, nossos pecados foram perdoados b) Fomos reconciliados uns com os outros. Ele se fez a nossa paz. Como ele promoveu essa paz?

a)    Aboliu a lei dos mandamentos (v.15). Podemos nos perguntar: Como Jesus aboliu a Lei se em Mateus 5:17-18 ele disse que não veio para revogar/abolir, mas cumprir? As leis do Antigo Testamento eram classificadas em 4 tipos? A) Lei moral; B) Lei Cerimonial (sistema religioso); C) Lei Civil; D) Lei sobre higiene e saúde. No contexto do sermão da Montanha (Mateus 5, 6 e 7) fica claro que Jesus estava falando da Lei Moral e essa não foi abolida. Mas, os judeus queriam que os gentios cumprissem as leis civis e cerimoniais, como o que comer e o que não comer, seguir regulamentos sobre o sábado etc. Jesus foi o único capaz de cumprir toda a lei. Mas, quando Cristo morre, com Ele morre a velha aliança e é instituída uma nova aliança. Entretanto, até mesmo a Lei moral que ainda permanece como princípios para obedecermos, também está abolida em termos de ser o caminho para a salvação. A salvação é Cristo! Cristo é a nossa LEI!

Mas, o que aprendemos com isso? Aprendemos que o legalismo sempre separou as pessoas. Se você se lembra bem, os fariseus religiosos dos tempos de Jesus tratavam as pessoas com diferença. Eles se sentiam superiores. A religiosidade e o legalismo levantam muros! Paulo, como um fariseu, perseguia cristãos e consentia na morte deles. Sempre que a lei é vista como condição para a salvação, ela separa as pessoas, levanta muros não apenas entre as pessoas, mas também entre nós e Deus.

b)    Criou uma nova humanidade (v.15). Uma nova humanidade, um novo povo, uma nova raça humana! Aleluia! O que isso realmente significa? Ficará mais claro na medida em que avançarmos por Efésios, mas posso adiantar que ele cumpre o propósito de Deus em restaurar a Sua imagem no homem que se une a Ele. Paulo dirá em Colossenses 3:11 “Aqui não pode haver mais grego e judeu, circuncisão e incircunciso, bárbaro, cita, escravo, livre, mas Cristo é tudo e está em todos”. Em Gálatas 3:28-29 ele escreve: “Assim sendo, não pode haver judeu nem grego, nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vocês são um em Cristo Jesus. E, se vocês são de Cristo, são também descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa.”

Portanto, em Cristo não deve haver mais desigualdade! No seu trato com o ser humano em geral. E a igreja deve ser a referência para o mundo de igualdade e justiça. Nossos lares devem ser regidos por esse princípio. Nossas relações de liderança devem ser regidas por esse princípio. A maneira como olhamos para as pessoas no pecado devem ser com a expectativa de que elas sejam resgatadas à essa nova humanidade, à essa nova raça. Uma raça que não tem diferenças!

 

Jesus, que é a nossa paz com Deus e com o próximo, reconciliou gentios e judeus e destruiu a inimizade. (v.16). A sua morte e ressurreição proclamam essa paz (v.17). Ele evangeliza a paz! Ele declarou paz aos discípulos depois de sua ressurreição! Ele orou pela unidade da igreja para que por meio dela levemos a paz!


3.    A maior unidade do mundo (v.19-22)

 

O que é ser um cristão? Qual é o objetivo de fazermos missões? Veja! Nós que éramos separados da comunidade de Israel, alheios à vida de Deus, estranhos Às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo, agora não somos mais estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos céus e membros da família de Deus.


a)    Família de Deus (v.19b). Fomos adotados (Efésios 1:5). Somos filhos desse Pai de amor. Mas, a maior ênfase que Paulo quer dar é que temos muitos irmãos. Somos os filhos d pai ultrapassando as barreiras raciais, sociais e econômicas para sermos da mesma família. Uma comunidade de pecadores lavados e redimidos pelo sangue do cordeiro.

Não somos unânimes. Não somos uniformes. Mas somos unidos!


b)    Templo de Deus (v.20-22). Eis uma aqui uma razão para não existir crentes desigrejados. Não somos unânimes. Não somos uniformes. Mas fomos chamados à unidade. Nesse edifício estamos sob o fundamento dos apóstolos e profetas, a sã doutrina! A igreja está edificada sobre as Escrituras e o Novo Testamento. Jesus, como a pedra angular, mantém o edifício firme e alinhado! E para que vivemos nesse mistério da unidade? Para sermos morada de Deus. Quero concluir como comecei nas palavras de Jesus: “Não peço somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por meio da palavra que eles falarem, a fim que de que todos sejam um. E como tu, ó Pai, estás em mim e eu em Ti, também eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.” João 17:20-21. É na sua unidade que a igreja revela Cristo e sua missão.

Vamos ser promotores da paz! Vamos ser o povo da unidade.

 

No amor de Cristo,

Pastor Rodrigo Rodrigues Lima

domingo, 26 de setembro de 2021

O MAIOR DRAMA, O MAIOR AMOR E O MAIOR PRESENTE DO MUNDO - SÉRIE REDESCUB...

O MAIOR DRAMA, O MAIOR AMOR E O MAIOR PRESENTE DO MUNDO - Efésios 2:1-10

 

O MAIOR DRAMA, O MAIOR AMOR E O MAIOR PRESENTE DO MUNDO

Efésios 2:1-10

Vimos no contexto anterior que Paulo ora para que os olhos do nosso entendimento sejam iluminados para que saibamos qual a esperança da nossa vocação, a riqueza da nossa herança nos santos e a suprema grandeza do poder Deus que operou em Cristo. Cientes disso, podemos compreender melhor o que Ele operou em nós por meio desse poder que operou em Cristo. Vamos ver qual é o maior drama, o maior amor e o maior presente do mundo.

 

1.    O maior drama do mundo (v.1-3)

 

O maior drama do mundo é que o ser humano sem Cristo está morto. Por quê? Porque a origem dessa morte consiste nas transgressões e pecados, o salário do pecado (Romanos 6:23). Quando olhamos para os jornais, vemos a escalada dos problemas econômicos (o crescimento populacional, a má utilização dos recursos naturais, a inflação, o desemprego, a fome); os conflitos sociais (o racismo, o nacionalismo que rejeita o estrangeiro, a luta de classes, a desintegração da vida familiar); a ausência de orientação moral (o que leva à violência, à desonestidade, e à promiscuidade sexual). Buscamos um culpado. Mas, por que tudo isso? Porque o ser humano está morto! Esse é um diagnóstico do homem caído na sociedade caída em todos os lugares. Até mesmo em países desenvolvidos, por mais ética e moral, há outros tipos de pecados. Soberba intelectual. É a rejeição da verdade de Deus e confiança em si próprio. Não há nenhum justo! Nem um sequer.  Paulo diz em Efésios 4:18: "tendo o seu entendimento obscurecido, separados da vida que Deus concede, por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração." Essa morte é basicamente a perda da vida espiritual, da perda da comunhão com Deus e da incapacidade de atividade e desenvolvimentos espirituais. O ser humano vive com uma autoridade contrária à vontade de Deus.

Vemos isso nesse trecho. Paulo fala tanto de gentios como de judeus. Essa expressão "entre eles também nós" se refere aos judeus e "como também os demais" é toda a raça humana. Como vivem os mortos espirituais? Como é esse drama?

 

A) Vivem segundo o curso deste mundo

Vivem segundo o espírito dessa época. Padrões de comportamento contrários à Palavra de Deus. Inversão de valores, deturpando os valores da família, divórcios sem sentido, os princípios morais que refletem o caráter e a santidade de Deus em cheque. Ensinando o errado como certo. Uma sociedade que repudia Deus, repudia os absolutos e que glorifica o mercado consumidor. O profeta Isaías diz: "Ai dos que ao mal chama bem e ao bem chamam mal; que fazem das trevas luz e da luz fazem trevas; que mudam o amargo em doce e o doce em amargo" (Isaías 5:20). Esse é o espírito do mundo que vivemos. O maior drama da humanidade é viver segundo a moda de Satanás e achar normal.

 

B) Vivem segundo o príncipe da potestade do ar (escravos)

Sabe irmãos, está meio fora de moda hoje em dia na igreja crer num diabo pessoal ou na ação demoníaca, mas o texto é claro que ele existe e atua governando principados e potestades. Ele é o príncipe, isto é, a autoridade que está operando nas pessoas que não tem Cristo. Toda a maldade que você vê no mundo tem o dedo de Satanás por traz manipulando as intenções dos corações corrompidos pelo pecado, pois, lhe são escravos. Esse espírito atua nos filhos da desobediência. O diabo atua exatamente onde o ser humano precisa se render. No interior do coração humano. E como filhos da ira de Deus se manifesta contra o mal que opera no ser humano. O ser humano está condenado!

 

C) Vivem segundo as inclinações da carne

O drama do ser humano se aprofunda ainda mais. Ele pode não parecer estar quebrado externamente, mas internamente ele está destruído. Desejos da carne vão muito mais além de "pecados da carne". Em geral, não há nada de errado desejar comer, dormir ou ter relações sexuais. O problema é quando o apetite para comida se transforma em glutonaria, quando o sono se transforma em preguiça e o sexo é pervertido. Desejos da carne incluem a vontade dos pensamentos, ou seja: pecados como soberba intelectual, a falsa ambição, a rejeição da verdade conhecida e pensamentos maliciosos e vingativos. Pecados não tão percebidos e ignorados como pecados. Veja que o pecado atua em toda forma de justiça própria e autoconfiança, que pode inclusive, se aproveitar do ambiente religioso para se mascarar. Jesus foi muito claro ao dizer que o que contamina o ser humano não é o que entra, mas o que sai (Marcos 7:20-23). Esse é o maior drama do mundo!

 

2.    O maior amor do mundo (v.4-7)

 

Mas Deus! Aleluia! Numa dimensão histórica, diante de toda necessidade e pecaminosidade do ser humano, irrompeu no tempo e se manifestou entre nós para resgatar a sua criação. Numa dimensão pessoal, você que um dia estava morto em suas transgressões e pecados, diante de toda a necessidade e pecaminosidade do seu ser, irrompeu na sua história para desfazer as obras do diabo. Por que ele faz isso?

 

A) Porque ele é Deus

Como é Deus? Ele é rico em misericórdia! (v.4) Misericórdia é não dar a esse ser humano o que ele merece de fato, isto é, o inferno. Só essa misericórdia é capaz de alcançar os incapazes.  Salmista diz: "Mas tu, Senhor, és Deus compassivo e bondoso, tardio em irar-se e grande em sua misericórdia e fidelidade." (Salmo 86:15) "As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã." (Lamentações 3:23-24a)

Como é Deus? Ele é grande em amor e bondoso (v.4) Somente o amor de Deus é capaz de triunfar sobre a ira! "Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando ainda éramos pecados" (Romanos 5:8) "Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados". (I João 4:10). Você foi muito amado por esse Deus. Esse é o maior amor do mundo!

 

B) Para operar o mesmo poder que operou em Cristo em nós também.

Esse Deus rico em misericórdia e grande em amor e bondade, operou em nós o mesmo poder que operou em Cristo Jesus. Esse poder venceu a morte em Cristo, o ressuscitou e o fez assentar nos lugares celestiais. Pois, esse poder operou em nós a mesma coisa. Por estarmos unidos com Cristo compartilhamos da sua ressureição, ascensão e exaltação!

I.Nos deu vida juntamente com Cristo (v.5). Nossa cidadania agora é o céu. Por estarmos unidos a Ele, fomos ressuscitados, pois estávamos mortos em transgressões e pecados, mas agora temos vida.

II.Nos fez assentar nas regiões celestiais em Cristo (v.6). Os lugares celestiais, em que os principados e as potestades operam, e em que Cristo reina supremo, é que Deus abençoou o seu povo (Efésios 1:3) e é onde que ele nos fez assentar. Estamos em tronos! Cristo nos deu uma nova vida, uma vida de vitória. Do cativeiro direto para o trono! Esse é o maior amor do mundo!

 

3.    O maior presente do mundo (v.8-10)

 

O maior presente do mundo é a salvação mediante a fé! Realmente é um presente, uma graça! Deus age com graça dando a nós um presente que não merecemos. Ele opera em nós a fé e a salvação.

I.A fé. (v.8) Que fé é essa? É a fé em Cristo. Uma plena confiança no sangue de Cristo. Uma confiança em sua vida, morte e ressureição. É uma segura confiança de que através dos méritos de Cristo, nossos pecados foram perdoados e, assim, fomos reconciliados com Deus.

II.A salvação. Que salvação é essa? A) Salvação da culpa dos pecados passados. Sabe os seus pecados passados? Jesus te lavou e te purificou. B) Salvação do medo de punição. Não há mais medo! Quem foi muito amado não tem mais medo. O amor lança fora todo medo de condenação. (I João 4:18) O amado pelo Pai não tem mais medo, antes ele clama "Aba Pai" (Gálatas 4:6). Ele é muito amado do Pai. C) Salvação do poder do pecado. "Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio: Para isto se manifestou o Filho de Deus: para desfazer as obras do diabo. Todo o que é nascido de Deus não vive na prática do pecado, porque nele permanece a semente divina: esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus." (I João 3:8-9). Tudo isso não tem nada a ver com nossos méritos e obras.

III.Um novo proceder (v.10). Ele nos fez para as boas obras. Uma vida inteira de bons frutos! Aleluia.

 

No amor de Cristo,

Pastor Rodrigo Rodrigues Lima