domingo, 1 de agosto de 2021

01.08.2021 - REAFIRME SUA IDENTIDADE

REAFIRME A SUA IDENTIDADE

Mateus 16:18

A nossa identidade está em processo de transformação contínua.

Segundo Habermas concebe, um indivíduo é responsável pela condução de sua biografia e pode construir novas identidades ao longo de sua existência motivado por fragmentações e rupturas que conduzem a uma superação, permitindo um novo reconhecimento nas interações sociais em que faz parte. Guarde isso: “construir novas identidades ao longo de sua existência motivado por fragmentações e rupturas que conduzem a uma superação, permitindo um novo reconhecimento nas interações sociais em que faz parte.”

Quando Cristo entrou em sua vida sua identidade passou por um processo de ruptura com um modus vivendi mundano para viver a realidade do Reino de Deus. Uma constante renovação da mente está em curso e o objetivo é que você seja você, mas um “novo eu”. Pedro se achava muito crente quando deixou as redes para seguir a Cristo. Vamos perceber que as crises servem para nos conhecermos a nós mesmos e nos rendermos ao senhorio de Jesus.

Nesses 1 ano e meio de pandemia, e agora na expectativa para o pós-pandemia, Deus nos dá uma grande oportunidade de crescermos em fé e reafirmamos nossa identidade Nele a partir das crises. Aqui vão algumas perguntas para você fazer uma análise pessoal: 1.Palavras te machucaram em algum momento a ponto de você parar? 2.Você está frustrado com os resultados profissionais ou ministeriais? 3.Há sonhos que não se realizaram? 4.Hoje você não está tão motivado quanto antes? 6.Qual é o estado do seu coração hoje? 7.O que esses tempos revelaram a seu respeito? Quem é você? Vamos observar na vida de Pedro que todos estamos em alguma fase nesse processo de formação de uma identidade.

Pedro, o discípulo de Jesus enfrentou uma crise que no final desemboca em uma identidade firmada em Jesus, pois, precisou aprender que Jesus o amava não por causa do seu desempenho, mas porque Jesus simplesmente o amava. Creio que Deus também está trabalhando em nós para amadurecermos nesse processo. Que lições aprender com a vida de Pedro? 

1.      A crise da fé e o convite à dependência (Lucas 5:1-11)

Temos nesta passagem de Lucas 5:1-11 o relato da pesca maravilhosa.  Jesus tira Pedro da vida mediana, ou o que podemos chamar de previsível. Pedro sabe a que horas pescar, sabe quantos peixes em média poderá alcançar, sabe tudo o que é necessário para uma boa pesca. Ele é pescador por profissão. Porém, Jesus rompe com todos os conceitos e a previsibilidade de Pedro e o convida a depender. O primeiro choque aqui é: “Onde está a minha dependência”? Jesus vem para quebrar essa estabilidade e essa previsibilidade e libertar a Pedro. Pedro está no controle! Entretanto, se estamos falando de assumir a identidade de filho, estarmos no controle não será uma opção. Não será uma opção a Pedro. Aliás, não será uma opção a nenhum de nós.

Assim Jesus fez com você quando lhe convidou para liderar, para gerar, para frutificar. Jesus entra na nossa experiência e aumenta a temperatura. Ele diz para Pedro: “Doravante serás pescador de homens” (v.11). Jesus está dizendo: “Aprenda a confiar em mim no previsível, e se necessário vou levar você ao imprevisível e tirar você de sua zona de conforto para me conhecer”.

Viver a caminhada com Cristo é um convite à fé e à dependência. Deus é Deus que age no comum e nos milagres! Nós fazemos cálculos e ele permite enquanto forja em nós o Seu caráter. Não tem outra maneira de experimentarmos uma transformação em nossa identidade sem essa crise da renúncia de controle. A pandemia e muito mais agora o pós-pandemia, nessa expectativa do novo, vivemos um kairós de dependência e fé. 

2.      O milagre de andar sobre as águas e a crise de afundar (Mateus 14:24-32)

A relação está se aprofundando. Ondas e ventos contrários estão sobre a embarcação. Eles seguiram uma orientação de Jesus (v.22). O que está ocorrendo aqui? Pedro está tão confiante em Jesus que anda sobre as águas. Entretanto, por um instante, vem o medo. O medo de morrer. O medo da vergonha. O medo de confiar e se decepcionar. Até então, Pedro está andando sobre as águas porque ouviu Jesus dizer: “Vem”. Perceba que em momento algum o texto disse que o vento havia cessado e que as águas agitadas haviam parado. No verso 30 vemos a palavra medo! Medo significa: “Não consigo confiar e descansar”. Medo é alma atribulada e cansada. Pedro foi mais ousado e corajoso que os demais discípulos, mas o medo foi mais forte. Pedro renunciou às redes, mas agora deve seguir renunciando ao controle.

Nós atendemos ao convite de Deus para confiar, para liderar, para avançar, para trabalhar e confiar, mas logo a nossa alma fica atribulada ao olhar que o vento não cessa, que o mar se agita! Essa pandemia agregou alguns elementos à nossa rotina: a) boa distância da terra (insegurança); b) Ventos e ondas das circunstâncias; c) Uma noite longa; d) Fantasmas. Será que não me enganei ao responder ao seu convite? Então essas coisas ferem o coração e volta o mérito e a justiça própria lhe acusando e dizendo de que não é capaz, não merece, não está apto porque os ventos e as ondas das circunstâncias nas quais você se encontra e te limitam, fazem você questionar e ferem o seu coração. O medo bate. Ohh irmãos! Quanta pressão temos enfrentado ao longo desses meses. Você é amado de Deus. Aqui faço uma pergunta: Por que temos vergonha de reconhecer que nossas expectativas nos traem? Então, você se volta para a explicação lógica das coisas e aquilo que era uma pura obediência, um ato de fé, agora está sendo racionalizado e você se esquece que simplesmente ouviu um convite: “Vem”! Mas, é um processo! Ainda que afundemos, tivemos coragem de andar sobre as águas. Estamos amadurecendo.

Mas, aqui está um pouco mais da crise que está modelando a sua identidade. Não é momento para desistir, mas para se entregar ao Senhor. 

3.      A crise para desistir do desempenho e da autossuficiência (João 13:37-38; Mateus 26:69-75)

Pedro era sincero, mas muito autoconfiante. Ele servia a Jesus com toda a sua vontade, mas era muito cheio de si, muito autoconfiante. Havia muita arrogância. Arrogância não no sentido de ter um nariz empinado, mas de alguma maneira nunca querer estar por baixo. Assim é quem não tem uma identidade firmada em Cristo. O que os outros pensam ou a imagem que se deseja passar revela muito a dependência da aprovação das pessoas. É necessário estar por cima, não é mesmo? Não creio que isso seja algo reconhecido, mas é próprio da natureza humana. Todos precisam estar afirmados de alguma maneira.

Pedro confiava tanto em seus esforços que diz a Jesus: “por ti darei a própria vida.” (João 13:37). Em resumo amada igreja, nós precisamos aprender a não confiar em nós mesmos (João 13:38). Entretanto, Pedro é um exemplo daquilo que todos nós fazemos em algum momento nesse processo de formação de nossa identidade em Cristo. A verdade é que não dá para ser amigo de Jesus baseado naquilo eu posso fazer por Ele, mas na força Dele. Todos nós sofremos em algum momento tentando ter um desempenho que agrade a Deus e crentes de que seremos aceitos por Ele. Quantos pastores e líderes frustrados porque seguiram as regras, ordenaram e seguiram direitinho o planejamento e no final as coisas não aconteceram como eles queriam. Oramos para Deus curar e Ele não curou. Jejuamos para a pandemia ir embora no mês seguinte e ela não foi. Fomos amadurecendo na marra, inclusive da falsa sensação de que podemos provocar a ação de Deus com uma varinha mágica chamada fé. Não! Até a fé está contaminada com arrogância e autossuficiência. Tivemos que aprender a conhecer a Deus livre de misticismos e achismos e a viver a fé como ela realmente é, isto é, Deus continua sendo Deus ainda que minha oração não seja respondida como gostaria. Pedro era imaturo! Queria que Jesus evitasse a cruz. Jesus repreende Satanás na vida de Pedro. Na hora “H” Pedro o negou. Na verdade, Pedro estava se aproximando de uma ruptura com crenças infantis para conhecer o Cristo, o Messias de verdade. As crises mostram a realidade nua e crua e nos desafia a negar a nossa própria força e autoconfiança.

Não! Não é assim Pedro! Qual foi o resultado disso tudo? (Mateus 26:69-75)

Baseado na própria força o amigo nega a Jesus. Pedro conheceu a si mesmo. Ele viu sua performance, seu mérito. Pedro chora amargamente sua própria decepção. Ele descobriu que os métodos e o desempenho fracassaram. A humanidade dele era pobre e desqualificada. Aqui é o clímax: “O sonho acabou”. Perdeu-se todos os referenciais. O desempenho e a autossuficiência desembocam em fracasso. Veja que isso não consciente, mas é uma relação de transformação do confiar em si próprio para confiar somente em Deus. É a transformação de nossa identidade. O medo do fracasso, o desejo de ver o fruto, a ânsia de provar algo será provado! Todos os nossos atos de fé serão provados pelo tempo, pelas circunstâncias para chegar à seguinte pergunta: “Tu me amas?” 

4.      Uma nova identidade e o amor desinteressado por Ele (Marcos 16:1-7)

Jesus não desiste de Pedro, apenas lhe ensina que não é do seu modo. Jesus não desiste de você, mas apenas quer lhe dizer que não é do seu modo. Ele diz: “Dizei aos discípulos e ao meu “melhor amigo”, o mais decepcionado, o mais fracassado, o mais frustrado”. Numa dimensão individual Jesus vem ao encontro da minha incapacidade. Numa dimensão individual Jesus vem ao encontro da sua incapacidade. Você disse que vai parar? Disse que vai desistir? Ele está dizendo: “Eu vou ao Seu encontro”.

Pedro pula no rio em direção a Jesus. Jesus não cobrou Pedro. Jesus não jogou na cara de Pedro tudo o que Ele havia feito de errado. Pedro não tinha mais como fazer nenhuma promessa a Jesus, a não ser reconhecer seu fracasso para experimentar o olhar compassivo de Jesus. A identidade está pronta a ser consolidada. Esse é o segredo daquelas conversões poderosas que vez por outra ouvimos. Geralmente a pessoa diz que ficava muito mal, ou seja, ela não tinha nada a oferecer a Deus, além do seu fracasso. Quando a pessoa ficou muito mal em que estava totalmente exposta de vergonha, desprezo e rejeição por todos à sua volta, ela se rendeu ao único que não estava preocupado com o seu desempenho. Assim foi com a mulher adúltera. Ele não nos ama por causa do nosso desempenho. Lembra-se disso? Mas, seu amor é o que precisamos para receber cura e libertação.

Jesus inicia um diálogo com Pedro. Na nossa versão bíblica não compreendemos a profundidade desse diálogo. Ele se dá mais ou menos assim – Jesus: “Pedro, você me ama com amor desinteressado, amor esse que me põe acima de tudo e de todos e que não espera nada em troca e que está acima, até mesmo, da sua vida?” Pedro responde: “Senhor, você sabe que tenho muita consideração por você.” Jesus pergunta mais uma vez a Pedro obtendo a mesma resposta. Então, na terceira vez Jesus pergunta: “Pedro, você tem muita consideração por mim, então? Pedro, magoado, ressentido responde: “Sim Senhor! “Eu tenho muita consideração por você”. Em outras palavras, Pedro está afirmando que em seu desempenho havia fracassado e que não adiantava fazer mais promessas, era o Pedro insuficiente e incapaz. Ele sabia que não conseguia corresponder ao amor de Jesus no mesmo nível. Mas, o mais impactante dessa história toda é que Jesus diz para ele três vezes: “Apascenta as minhas ovelhas”. Jesus se aproxima de Pedro, do coração do Pedro incapaz e o restaura. Jesus lapidou a pedra e ele se tornou Pedro! Jesus está nos lapidando e nos dando uma nova identidade.

Veja como Deus trabalha para formar a nossa identidade em Cristo! Os conduzindo à renúncia do controle e a uma entrega total de confiança em sua graça.

quarta-feira, 23 de junho de 2021

O Novo Nascimento

 O novo nascimento 
Baseado no sermão 45 de John Wesley

Duas doutrinas são fundamentais para os cristãos: a doutrina da justificação e a doutrina do novo nascimento.

A justificação é a grande obra que Deus faz por nós, perdoando os nossos pecados.

O novo nascimento é a grande obra que Deus opera em nós, renovando a nossa natureza.

Vamos entender o que é o novo nascimento.

 

POR QUE PRECISAMOS NASCER DE NOVO?

 

1.      Porque Deus quer restaurar a imagem Dele em nós, como era antes da queda

 

E Deus disse: — Façamos o ser humano à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os animais que rastejam pela terra. Assim Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Gênesis 1:26,27

O ser humano refletia perfeitamente a imagem de Deus antes da queda em três aspectos: 

Imagem natural – Um ser imortal, espiritual, dotado de entendimento, liberdade de vontade e vários afetos. Em suma ser pensante, com emoções e vontade.

Imagem política – O administrador (mordomo da criação). Tenha ele (ser humano) domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os animais que rastejam pela terra. Gênesis 1:26

Imagem moral – Como Deus é amor, sendo o ser humano criado à sua imagem, este era cheio de amor e movido por este amor em suas intenções, pensamentos, palavras e atos. Assim como Deus é cheio de justiça, misericórdia e verdade, assim também era o ser humano antes da queda. Deus é puro, portanto, assim era o ser humano no começo, puro de toda mancha pecaminosa. A prova disso é que Deus considerou no dia em que criou o ser humano: “que era muito bom” Gênesis 1:31

 

2.      Porque a morte veio para toda a humanidade após a queda de Adão

Deus deu ao ser humano a liberdade de vontade e lhe deu uma advertência: E o Senhor Deus ordenou ao homem: — De toda árvore do jardim você pode comer livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal você não deve comer; porque, no dia em que dela comer, você certamente morrerá. Gênesis 2:16,17

Mas, Adão desobedeceu a Deus declarando assim que não queria que Deus o governasse, mas que iria viver por sua própria vontade; não queria buscar felicidade em Deus, mas no mundo e nas obras de suas mãos. Como resultado:

Morte física – quando o corpo se separa da alma;

Morte da alma – quando essa se separa de Deus.

O amor de Deus foi extinto de sua alma. Assim, ele passou a ter medo de Deus, de modo que fugiu de Sua presença: Ao ouvirem a voz do Senhor Deus, que andava no jardim quando soprava o vento suave da tarde, o homem e a sua mulher se esconderam da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim. Gênesis 3:8.

Diante disto, o ser humano perdeu tanto o conhecimento de Deus quanto o amor de Deus. Ele foi privado da imagem de Deus e se tornou ímpio e infeliz, agora, revestido de orgulho e obstinação, de apetites e desejos pecaminosos.

A morte espiritual veio a todos os seres humanos, como a perda da vida e da imagem de Deus.

 

Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu a minha mãe. Salmos 51:5

 

Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado veio a morte, assim também a morte passou a toda a humanidade, porque todos pecaram. Romanos 5:12

 

Ele lhes deu vida, quando vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados, nos quais vocês andaram noutro tempo, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência. Efésios 2:1,2

Em suma, todo ser humano precisa nascer de novo por causa da corrupção de sua natureza. Todos os seres humanos nascem corrompidos por causa do pecado, consequentemente, separados de Deus. Daí a necessidade de nascer do Espírito de Deus.

 

COMO PODE O SER HUMANO NASCER DE NOVO?

O modo preciso dessa obra espiritual ninguém sabe explicar. Quando Jesus está dialogando com Nicodemos a respeito do assunto, Ele diz: “O vento sopra onde quer, você ouve o barulho que ele faz, mas não sabe de onde ele vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito.” João 3:8 Podemos estar absolutamente certos, como do soprar do vento, que se ergue e se acalma, assim é o nascido do Espírito.

A analogia do bebê na barriga e seu nascimento

Um bebê na barriga de sua mãe tem olhos, mas não vê; tem ouvidos, mas não ouve. Faz uso muito imperfeito de qualquer outro sentido.

Somente depois de nascido é que podemos dizer que o ser humano começa a viver. Assim que o bebê nasce, ele começa a ver a luz e os objetos. Os órgãos dos sentidos são liberados. Seus olhos passam a ver e, o paladar, o olfato, seus ouvidos e suas mãos e pés passam a sentir. Ele passa a respirar e viver de maneira totalmente diferente do modo como estava na barriga de sua mãe.

O ser humano natural é como um bebê na barriga de sua mãe em sua condição espiritual

Antes de nascer de novo, o ser humano corrompido pelo pecado, em paralelo com essa ilustração do bebê na barriga da mãe, se encontra nas mesmas condições espiritualmente. Ele tem olhos, mas não vê. Possui ouvidos, mas não ouve. Seus demais sentidos espirituais estão anulados e é o mesmo que se não os tivesse. Então, ele não tem conhecimento de Deus e nenhum contato com Ele. Ele não se relaciona com Deus de modo algum.

 

Nada sabem, nem entendem, porque os olhos deles estão grudados, para que não vejam, e o coração deles já não pode entender. Isaías 44:18

 

— Filho do homem, você mora no meio da casa rebelde, que tem olhos para ver e não vê, tem ouvidos para ouvir e não ouve, porque é casa rebelde. Ezequiel 12:2

O ser humano que nasce de novo é como um bebê que saiu da barriga e passa a ter vida espiritual

 

Porque Deus, que disse: “Das trevas resplandeça a luz”, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Jesus Cristo. 2 Coríntios 4:6

Quando nasce um bebê dizemos: “Ela deu à luz”. Alguém que estava no escuro de um útero, veio para o mundo claro. Você estava no escuro das trevas e nasceu de novo, veio para a luz do conhecimento da glória de Deus. Agora, os sentidos espirituais estão liberados. Você fica sensível para o mundo de Deus!

Seus ouvidos são abertos e você se torna capaz de ouvir os benefícios do novo nascimento: 

      1.      O perdão de seus pecados

Homem, os seus pecados estão perdoados. Lucas 5:20

Vá e não peque mais. João 8:11 


2.      Se torna filho de Deus e o Espírito de Deus passa a habitar em você

Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porque vocês não receberam um espírito de escravidão, para viverem outra vez atemorizados, mas receberam o Espírito de adoção, por meio do qual clamamos: “Aba, Pai.” O próprio Espírito confirma ao nosso espírito que somos filhos de Deus. Romanos 8:14-16 


3.      Sente uma profunda paz

Paz de Deus, que excede todo entendimento. Filipenses 4:7 


4.      Sente o amor de Deus

Porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi dado. Romanos 5:5

Todos os seus sentidos espirituais, como um bebê recém-nascido, passam a ser exercitados, de maneira que o ser humano passa a discernir o bem e o mal de ordem espiritual. Pelo uso deles, diariamente, o ser humano cresce no conhecimento de Deus.

Sobre a natureza do novo nascimento John Wesley dirá:

 

“É aquela grande mudança que Deus opera na alma, quando Ele chama-a para a vida, quando Ele levanta-a da morte do pecado para a vida da justiça. É a mudança operado em toda a alma pelo poderoso Espírito de Deus, quando ela é “criada de novo em Cristo Jesus”, quando é “renovada segundo a imagem de Deus, em justiça e verdadeira santidade”; quando o amor do mundo se muda em amor de Deus, o orgulho em humildade, a impetuosidade em mansidão; o ódio, a inveja, a malícia numa sincero, terno e desinteressado amor a toda a humanidade. O novo nascimento é, numa palavra, aquela mudança pela qual a mente terrena, sensual e diabólica se transforma na “mente que havia em Cristo Jesus”. Está é a natureza do novo nascimento: “assim é todo aquele que é nascido do Espírito”.

 

PARA QUE FIM É NECESSÁRIO NASCER DE NOVO?

 

1.      Para a Santidade

Santidade é muito mais do que regras e conduta externa. Santidade é a imagem de Deus impressa sobre o coração.

Você se lembra como começou este material? Descrevendo como era o ser humano antes da queda! Ele não conhecia o pecado porque a imagem de Deus era refletida perfeitamente nele. Com o novo nascimento, ao ser humano é possibilitado refletir a imagem de Deus. Com o novo nascimento, passamos a ter a mente de Cristo que implica em:

Amor contínuo e agradecido, tal qual é o amor de Deus

Jesus respondeu: — “Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento.” Mateus 22:37

No amor não existe medo; pelo contrário, o perfeito amor lança fora o medo. Porque o medo envolve castigo, e quem teme não é aperfeiçoado no amor. Nós amamos porque ele nos amou primeiro. 1 João 4:18,19

 Contínuo sacrifício agradável a Deus, aceitável através de Cristo pela renovação de nossa mente

Portanto, irmãos, pelas misericórdias de Deus, peço que ofereçam o seu corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Este é o culto racional de vocês. E não vivam conforme os padrões deste mundo, mas deixem que Deus os transforme pela renovação da mente, para que possam experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Romanos 12:1,2

 

2.      Para salvação eterna

 

Procurem viver em paz com todos e busquem a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor. Hebreus 12:14

 O texto é claro. Precisamos da santidade e, como consequência, veremos o Senhor. Quando veremos o Senhor? Na salvação eterna. Logo, se para ser santo preciso nascer de novo, também é necessário para a salvação.

 

3.      Para a felicidade

 Ninguém pode ser feliz, mesmo neste mundo, se não nascer de novo. Por mais que o homem queira ser feliz, as obras da carne (Gálatas 5:19-21) o impede de ser feliz. Por isso, precisa nascer de novo para viver segundo o Espírito. (Gálatas 5:16; 22-24)

domingo, 30 de maio de 2021

SÉRIE REFORMA EM FAMÍLIA | 30.05.2021 - LIÇÕES PARA MANTER A FAMÍLIA SAU...

Lições para manter sua família saudável

 Lições para manter sua família saudável

João 2:1-11

Casamentos e lares enfrentam crises. O site Consultor Jurídico publicou uma em 06 de março deste ano com dados alarmantes. Segundo a reportagem, o segundo semestre de 2020 registrou o maior número de divórcios registrados em cartórios no Brasil. A tendência de alta é confirmada pelo IBGE. Segundo a entidade, o número de divórcios no país cresceu 75% em cinco anos. Só em julho de 2020 foram 7,4 mil, o que corresponde a 260% acima da média comparado com meses anteriores.

Um advogado renomado do Brasil e especialista em Direto da Família, Dr Luiz Kignel listou para o site InfoMoney cinco motivos da perspectiva dos homens e cinco motivos da perspectiva das mulheres que os levam à separação:

 

HOMENS

MULHERES

1. Relacionamento extraconjugal

1. Problemas de relacionamento do próprio casal – desgaste da vida em comum e falta de respeito no convívio

2. Problemas de relacionamento do próprio casal – desgaste da vida em comum e falta de respeito no convívio

2. Problemas de relacionamento com a família do cônjuge

3. Problemas de relacionamento com a família do cônjuge

3. problemas de relacionamento com os filhos

4. Falta de dinheiro

4. Falta de dinheiro

5. Problemas de relacionamento com os filhos 

5. Relacionamento extraconjugal

 

Fonte: Luiz Kignel

Não pretendo neste sermão discorrer sobre o divórcio, mas diante deste triste fato, quero trazer lições a partir da narrativa de João a respeito da família abençoada e gostaria que você percebesse como é possível evitar esses cinco grandes problemas seguindo os princípios aplicados nesta palavra. Todos os cristãos dentro dos limites do relacionamento familiar, seja você casado, divorciado ou solteiro. As lições que aprendemos com este relato servem como uma palavra preventiva. para promover a saúde do lar, bem como orientar seus filhos e filhas a constituírem lares saudáveis e abençoados.

 1.    Jesus dá prioridade para a família em seu primeiro sinal (v.11)

Família não é apenas um grupo ou um fenômeno social. Família é a pedra fundamental da criação de Deus. Jesus apresenta Deus como Pai nos evangelhos revela que Deus tem uma grande família. Deus está interessado na família. Portanto:

a)    Jesus prioriza a família. O princípio, o início a seus sinais ocorrem em uma festa de casamento. Não é a cura de um coxo. Não é a ressureição de um morto. Não é a cura de um cego, mas é transformar água em vinho em uma festa de casamento.

b)   Jesus manifesta a sua glória na família. Jesus revelou o seu poder e a sua santidade aos discípulos em uma festa de casamento. Jesus manifesta a sua glória na família. Onde Jesus é convidado e requisitado, Ele manifesta o seu poder glorioso.

c)    Jesus é crido em um ambiente de família. Os discípulos creram Nele. Esse é o grande ponto. É na família, experimentando a presença e a glória de Jesus que Ele é crido. Seu lar deve ser um lugar de fé. Seu lar deve ser um lugar onde seus familiares experimentam o poder da glória de Jesus. Muitos lares estão descrentes porque se vive uma religião. Ir aos cultos aos domingos não é suficiente para que nossos filhos creiam em Jesus. Eles precisam reconhecer a glória de Jesus em nossas vidas. Onde Jesus é reconhecido? Ele é reconhecido através de mães, pais e filhos que vivem no Espírito de Cristo.


2.    Jesus é convidado para o casamento (v.2)

Um casamento judeu durava, idealmente, sete dias. A cerimônia, em se tratando de uma virgem, só ocorria no quarto dia da festa. Os anfitriões convidavam o maior número de pessoas possível, sobretudo pessoas ilustres, como os mestres famosos. Jesus certamente já era um mestre muito conhecido e morava em Nazaré que ficava a cinco quilômetros de Caná.

Nós temos o costume de convidar as pessoas mais importantes do nosso círculo de amizade para o casamento. Os mais íntimos são convidados para serem padrinhos. A pergunta que eu te faço é: Quando você convidou Jesus para entrar na sua vida e na sua família, o que aconteceu? Jesus entrou em algumas casas e quero ver com você:

a)    Jesus entrou na casa de Pedro (Lucas 4:38-39). Na casa de Pedro Jesus levou cura.

b)   Jesus entrou numa casa em Cafarnaum (Marcos 2:1-12). Naquela casa eles desceram um paralítico pelo telhado e Jesus levou restauração.

c)    Jesus entrou na casa de Levi (Lucas 5:29-32). Levi era um cobrador de impostos e naquela casa Jesus levou perdão.

d)   Jesus encontrou na casa de Jairo (Marcos 5:35-43). Para aquela casa Jesus levou vida ressuscitando a filha de Jairo.

e)    Jesus entrou na casa de Zaqueu (Lucas 19:1-10). Jesus viu a fé daquele pequeno homem e disse que lhe convinha entrar em sua casa. Portanto, na casa de Zaqueu Jesus leva salvação.

f)     Jesus entrou na casa do fariseu Simão. Esse foi um convite infrutífero (Lucas 7:36-49). O convite do fariseu foi um convite que não trouxe nenhum fruto para a casa dele. Jesus foi convidado como apenas mais um. Ele não foi tratado com honra e não foi lhe feito cortesias.

Você convidou Jesus. Como você o tem recebido? Muitos casamentos não experimentam a glória de Deus porque Jesus está ali, mas Ele não é requisitado.

3.    Jesus está no lar, mas o vinho acaba (v.3)

Deixar o vinho acabar em uma cerimônia de casamento era socialmente embaraçoso e seria motivo de piadas por muitos anos na Vila. O vinho é símbolo de alegria na Bíblia.

a)    O vinho acaba porque oferecem além do que pode dar

As demandas do casamento eram grandes. Muitos convidados! Conforme vimos na introdução, uma das coisas que esgota relacionamentos é o desgaste da vida comum e a falta de respeito devido a familiarização.  Chega um momento em muitos casamentos que um dos cônjuges acaba dando mais do que recebendo. Geralmente as mulheres tendem a oferecer mais de si em serviço e afeto do que os homens e isso pode minar a alegria do casamento. O vinho, a alegria acabam. 

b)   O vinho acaba, por isso precisamos de ajudadores para a nossa família

Naquele tempo as mulheres ficavam próximas da cozinha, no ambiente de onde saiam as refeições e as bebidas. Maria estava próxima a esse ambiente e se preocupa.

Observo que todo casamento precisa ter alguém “próximo da cozinha”, isto é, alguém com quem podem contar. Todo casal que deseja estar saudável ganha muita vantagem ao ter pessoas que olham seus pontos vulneráveis para os direcionar até Jesus. 

c)    O vinho acaba, por isso, precisamos ser cautelosos

Inevitavelmente todos os casamentos enfrentam crises. Mas, é possível fazer um trabalho preventivo. Em Cantares de Salomão 2:15 diz: “Apanhai-me as raposas, as raposinhas, que devastam os vinhedos, porque as nossas vinhas estão em flor”. Essa linguagem metafórica é um alerta. As raposinhas cavam ao redor das videiras cobertas de flores. Por serem pequenas, em um primeiro momento não se dá muita importância. Mas, logo percebem que justamente no período de florir, elas devastam aquilo que pode garantir o fruto. 

4.    Jesus tem uma direção para restaurar a alegria do seu lar (v.5)

Jesus tem uma palavra restauradora, mas ela precisa ser obedecida

Fazei tudo o que Ele vos disser. 

a)    Aos maridos

- Amem a esposa com amor incondicional e sacrificial: “Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela”. Efésios 5:25.

- Trate a sua esposa com cuidado para que Deus não pare de te ouvir: “Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações.” I Pedro 3:7 

b)   Às esposas

- Sejam submissas aos maridos, sendo submissas ao Senhor. “As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor.” Efésios 5:22

- Seja sábia para edificar seu lar. “A mulher sábia edifica a sua casa, mas a insensata, com as próprias mãos a derruba.” Provérbios 14:1 

c)    Aos filhos

- Honrem os seus pais: “Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra.” Efésios 6:1-2 

d)   Aos pais

- Não sejam duros demais com seus filhos: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas cria-os na disciplina e na admoestação do Senhor.” Efésios 6:4. A ideia dessa passagem é que seguremos os filhos pelas mãos para guiá-los e não apenas apontar ou exigir que sigam o caminho. Caminhe ao lado do seu filho.  

Quero concluir com o trecho de um artigo escrito por Jurandir Sell Macedo Jr que escreveu para a revista Forbes sobre porque as separações grisalhas aumentaram. Ele conclui seu artigo da seguinte forma:

 

Como nos contos de fadas, os casais sonham com a convivência romântica até que a morte os separe. Porém, o longo horizonte de vida saudável, a independência financeira das mulheres e os avanços da medicina tornam mais difícil a realização desse sonho.

 

Será, então, que todos os casamentos irão acabar um dia? Felizmente, isso não é verdade. Quanto mais tempo vivemos, mais iremos mudar ao longo da vida. Para um relacionamento durar, ambos os cônjuges precisam mudar.

 

Gosto muito da história de um casal que resolveu comemorar os 30 anos de união indo ao mesmo hotel onde tinha passado a lua de mel. Tudo parecia perfeito. No quarto, os dois puderam observar os mesmos cuidados de 30 anos antes. O restaurante continuava maravilhoso, o café da manhã continuava delicioso, até o som do bar continuava divino.

Ao sair, o casal chamou o gerente geral para dar os parabéns e perguntou como era possível manter o hotel igual ao que era há três décadas. O gerente desolado respondeu: “Como assim? Nunca ficamos um mês sequer sem mudar. Nem de longe somos o que éramos há 30 anos.”

Talvez, seja esse o segredo para manter um casamento por uma vida: os dois lados devem mudar todos os dias. E a mudança contínua pode tornar tudo tão belo e funcional que vai parecer que nada mudou.”

 

O que precisa ser restaurado em seu lar? O que precisa ser restaurado em seu coração? Quais das lições acima precisam ser colocadas em prática para restaurar a alegria da família?

No amor de Cristo,
Pastor Rodrigo Rodrigues Lima