sábado, 9 de maio de 2020

Um dia das mães aos pés da cruz - Lucas 19:25-27


Um dia das mães aos pés da cruz
Lucas 19:25-27

Certamente não será um Dia das Mães normal, mas atípico. Muitas mães estarão solitárias em casa para atender ao distanciamento social. Eu mesmo não estarei com minha mãe, pois, minha irmã e meu pai se enquadram no grupo de risco e entendemos que não devemos estar juntos.
Algumas mães e alguns filhos estarão em luto, pois, perderam um filho ou uma mãe para o COVID19. Vale relembrar o luto de muitos filhos que já não tem suas mães, mas a saudade aperta.
Entretanto, também será um dia das mães de alívio para outros, pois alguns outros venceram a enfermidade. Em suma, todos sofreram ou tem sofrido nessa realidade.  
Na crucificação de Jesus encontramos a mãe impotente, o filho agonizante e o sofrimento se impondo no mesmo espaço. Temos aqui uma palavra para esse dia das mães em tempos de COVID19. 

1.A mãe está presente no sofrimento. E junto à cruz estavam a mãe de Jesus, a irmã dela, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena.” (v.25)
Minha mãe e agora minha esposa dizem: “Mãe parece uma palavra doce. Não sai da boca das crianças.” Não é verdade? Claro que é. “Mãe. Manhê. Mainha. Mamãe.” Seja como for, sempre que você se machuca, está triste ou aflito, a mãe está aí em seu sofrimento para ouvir, afirmar e encorajar você. Maria está presente no sofrimento de seu filho. Enquanto a maioria esmagadora de seus discípulos estão dispersos, sua mãe está presente. Graças a Deus por nossas mães. Elas sempre estarão conosco em nosso sofrimento.
Os últimos instantes de Jesus apontam para a realidade de muitas mães nessa pandemia, pois, o antinatural está presente nos últimos momentos de Jesus. A mãe está sepultando o filho. 

2.Jesus ampara a mãe e o discípulo que está aos pés da cruz. “Vendo Jesus a sua mãe e junto dela o discípulo amado, disse: — Mulher, eis aí o seu filho.” (v.26-27)
O texto não diz claramente, mas possivelmente Maria fosse viúva. José não estava presente na crucificação e Jesus incumbe seu discípulo amado de cuidar de sua mãe. Segundo a cultura judaica, cabia ao filho mais velho cuidar de sua mãe viúva. Jesus era o primogênito de Maria, mas agora está morrendo. Certamente ele tinha outros irmãos de sangue, mas como irmão mais velho poderia ditar um “testamento oral” e nele declarar quem dela cuidaria.
Para Maria é uma dor terrível ao ver seu filho morrer injustamente.
Tem muitas mães de filhos mortos vivos, escravos de vícios ou maridos abusivos. Filhos e filhas que fizeram escolhas trazendo mais sofrimento e consequentemente fazendo o coração de suas mães sofrerem. Quantas mães sofrendo.
Veja que é aos pés da cruz que Maria encontra sofrimento e consolo. A cruz é símbolo de dor, mas também é a prova do amor de Deus e o antegozo da glória. A cruz precede a vitória da ressurreição. Na cruz, Maria recebeu amparo de Jesus. Ele disse: “mulher, eis aí o seu filho”, portanto, você não estará só.
Nesses tempos de sofrimento o convite é para irmos aos pés da cruz. Jesus amparará toda mãe e todo filho que estiver aos pés da cruz. Veja que o discipulado amado também encontra amparo. “Depois, disse ao discípulo: — Eis aí a sua mãe. Dessa hora em diante, o discípulo a tomou para casa.”

Aos pés da cruz encontramos consolo, mas também recebemos responsabilidades. Jesus nos convida a acolher as pessoas que estão precisando de nossos cuidados espirituais, emocionais e materiais. Estar aos pés da cruz é ter um encontro com a necessidade humana.

Tenhamos um dia das mães aos pés da cruz porque Nele encontraremos o Jesus que sente a nossa dor, consola o coração aflito e provê amparo aos desvalidos. 

Feliz dia das mães.
Rodrigo Rodrigues Lima, Pastor
Igreja Metodista Livre de Vila Moraes

sábado, 2 de maio de 2020

MINISTÉRIO FEMININO NA IGREJA PODE?! ESTÁ NA BÍBLIA?


MINISTÉRIO FEMININO NA IGREJA PODE?! ESTÁ NA BÍBLIA?

O ministério feminino na igreja pode sim e está na Bíblia.
Vamos sistematizar a resposta a respeito deste tema tão importante. Existem algumas posições distintas a respeito do tema.

Existem pessoas que fazem uma leitura literal da Bíblia, isto é, sem considerar o contexto no qual foi escrita e entendem que a mulher não pode exercer qualquer ministério na igreja local. Existem outros que reconhecem o ministério feminino, mas não aceitam a ordenação feminina, portanto, não reconhecem pastoras ordenadas. E aí? Pode ou não pode?

Não fazer uma análise do contexto histórico cultural no qual as mulheres viviam é ignorar uma realidade de opressão, ódio e desprezo a elas. A posição de uma mulher era inferior aos homens em todos os aspectos. A sociedade israelita do Antigo Testamento era extremamente patriarcal. Um ditado rabínico afirmava que todo homem devia agradecer diariamente a Deus por não ter nascido mulher, nem pagão e nem operário. Alguns rabinos chegaram ao extremo de considerar que a mulher não possuía alma e que era preferível queimar a Lei do que ensiná-la a uma mulher. Em livros apócrifos dizem: “o Testamento dos Patriarcas dificilmente as vê (mulheres) como algo além de dar ensejo à fornicação.”

Esperar que as mulheres tenham espaço para ordenação ao ministério nesse período de tanta opressão e preconceito é impensável. Podemos perceber claramente que desafiar o status quo (a situação atual) poderia causar muito mais perseguição para a igreja. O mesmo se aplica à questão da escravidão e Paulo recomendava aos escravos: “ – Escravos, obedeçam em tudo a seus senhores aqui na terra, não servindo apenas quando estão sendo vigiados, visando somente agradar pessoas, mas com sinceridade de coração, temendo ao Senhor.” (Colossenses 3:22). Concluímos, por essa razão, que a Bíblia é a favor da escravidão? É óbvio que não. Paulo diz expressamente: “Assim sendo, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vocês são um em Cristo Jesus.” (Gálatas 3:28). É claro que Paulo está tratando da salvação neste trecho, mas a salvação envolve a restauração da imagem de Deus, o projeto original antes da queda do homem.

Olhando para Jesus e sua relação com as mulheres, a sua obra redentora e o derramamento do Espírito Santo, como devemos ver a mulher na nova aliança e como interpretar passagens bíblicas em que Paulo ordena que elas permaneçam em silêncio? Deus não faz distinção entre homem e mulher. Por isso, homem e mulher desfrutam de igualdade diante de Deus e ambos podem exercer o ministério pastoral ordenado. Por quê?

a)   Porque a criação fundamenta isso.
“Assim Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: - Sejam fecundos, multipliquem-se, encham a terra e sujeitem-na. Tenham domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.” (Gênesis 1:27-28). Perceba que desde a criação o homem e a mulher desfrutam da imagem divina e possuem o mesmo domínio sobre a criação. Na criação, homens e mulheres possuem igualdade.  
Quando o domínio do homem veio sobre a mulher? Após a QUEDA! Veja o que Deus diz: “O seu desejo será para o eu marido, e ele a governará.” (Gênesis 3:16b). Podemos afirmar que isso foi uma consequência do pecado e não reflete o projeto original antes da queda.

b)  Porque Jesus afirma essa igualdade
Tudo o que Jesus fez deve modelar a vida dos seus discípulos e de sua igreja. Jesus nasceu de uma mulher (Gálatas 4:4). Nos quatro evangelhos, as mulheres participam do Reino promovido por Jesus, mas de uma forma ativa e engajada. Jesus aparece curando e restaurando a dignidade de mulheres, transmitindo-lhes ensinamentos acerca de relações familiares, étnicas, econômicas e sociais. Elas são retiradas de um contexto de doença, opressão e exclusão e são inseridas ativamente no seguimento, discipulado, ensino e prática de transformação. Mulheres pobres, viúvas, divorciadas ou solitárias foram acolhidas por Jesus. I) A Sogra de Pedro é curada e passa a servir a Jesus (Marcos 1:29-31). No judaísmo, não era recomendado que mulheres servissem à mesa para não se acostumarem entre os homens. O serviço dela mostra sua gratidão, mas também revela que ela se tornará uma discípula de Jesus e viverá dentro de uma nova comunidade não marcada pela hierarquia, mas pelo serviço mútuo revelando a igualdade entre homens e mulheres no Reino, no qual o serviço é o ideal de discipulado de Jesus. II) A mulher que sofria de hemorragia há 12 anos (Marcos 5:25-34). Ela vivia à margem da sociedade, que no contexto religioso, a considerava impura. Tudo o que ela tocasse também se tornaria impuro. Jesus rompe diversas barreiras com aquela mulher. Ao ser tocado por ela Jesus: a) Rompe com o mito da contaminação, pois ela é curada; b) Jesus a faz falar em público. Mulheres não podiam falar em público até mesmo com os seus maridos; c) Jesus restaura a dignidade dela como mulher. Ela poderá ter filhos, pois não sofrerá mais dessa hemorragia; Ela poderá viver em sociedade, pois, Jesus a cura de uma doença que marginalizava. III) A mulher siro-fenícia (Marcos 7:24-30). Jesus atende ao pedido de uma mulher não judia e cura a sua filha. As mulheres de outras nações eram tidas como animais. IV) A mulher samaritana (João 4:1-42). Jesus fala com uma mulher publicamente. Jesus se dirige a alguém que é de Samaria. Seus discípulos ficam pasmos. Muitos crerão nele em Samaria por causa do testemunho dela. V) A viúva pobre (Marcos 12:41-44). Essa mulher era marginalizada por duas razões: a) Ela era viúva; b) Ela era pobre. Ela é um exemplo de abnegação e exemplifica o modelo de discipulado que espera de nós. Além de trazer destaque público a ela como exemplo de verdadeira espiritualidade e adoração. VI) A mulher que unge Jesus em Betânia (Marcos 14:3-9). Essa mulher invade um espaço tipicamente masculino e serve a Jesus. VII) A morte, o sepultamento, a ressurreição de Jesus e as mulheres (Marcos 15:40-11; 16:1-11). Diferentemente de boa parte dos discípulos acovardados, elas permanecerão aos pés de Jesus na crucificação, buscarão embalsamar o corpo dele, o verão ressurreto primeiro e anunciarão em primeira mão a Sua ressurreição.

Assim, Jesus põe fim à maldição da queda, introduz as mulheres em seu Reino e traz a elas a benção da igualdade tal qual na criação. Stott afirma que: “[...] a igualdade sexual, estabelecida na criação, mas pervertida pela queda, foi recuperada pela redenção, que está em Cristo. O que a redenção soluciona é a queda, o que ela recupera e restabelece é a criação.” Portanto, Jesus restaura a imagem de Deus e torna a todos participantes de sua graça.”

c) Porque a descida do Espírito Santo e a distribuição de dons atestam essa igualdade
“E acontecerá, depois disso, que derramarei o meu Espírito sobre toda a humanidade. Os filhos e as filhas de vocês profetizarão, os seus velhos sonharão, e os seus jovens terão visões. Até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias.” (Joel 2:28-29)
O texto é claro! O Espírito Santo não faz distinção de gêneros. Quando diz “toda a humanidade” inclui mulheres e até escravas. Fala-se dos dons espirituais como evidência, o que independente de gênero. “Felipe tinha quatro filhas solteiras que profetizavam. (Atos 21:9). As mulheres profetizavam, e por uma questão situacional em Corinto, usavam o véu: Toda mulher, porém, que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua própria cabeça.” (I Coríntios 11:5). Vale ressaltar que na lista dos dons espirituais, não há qualquer distinção de gênero na distribuição deles. “E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos, A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando um fim proveitoso.” (I Coríntios 12:6-7) e, o mesmo afirmo para Efésios 4:11-12 que diz: “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo.” A política do Reino de Deus não está estruturada sob uma hierarquia, mas sob o serviço totalmente igualitário.

d) Porque Paulo afirma essa igualdade
“Assim sendo, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vocês são um em Cristo Jesus.” (Gálatas 3:28). Todos agora são filhos e filhas de Deus sem qualquer preconceito ou distinção.

Claro que igualdade não significa ser igual. Não se trata de identidade, mas complementaridade. Homem é homem e mulher é mulher. Ambos se complementam e não são inferiores um ao outro. Portanto, reconhecemos nossas diferenças e nos complementamos. Essa complementaridade está em Gênesis 2, antes da Queda, mas não é o foco desse estudo no momento e que deixa claro que não deve haver machismo e nem feminismo. Assunto para outro momento “Pergunte ao Pastor”.

Mas, como harmonizar passagens nas quais Paulo fala de sujeição da mulher ao homem, sendo o homem o cabeça? Isso não impediria uma mulher de ser pastora e impedir que ela lidere sobre homens?

Vamos focar na primeira pergunta, que muitos usam como argumento para que a mulher não lidere a igreja constituída de homens.
A questão da sujeição é apresentada por Paulo na perspectiva da mutualidade. Ele diz: Sujeitem-se uns aos outros no temor de Cristo.” (Efésios 5:21). O marido como cabeça nesse modelo se sujeição mútua não exerce liderança por meio de autoritarismo ou inferiorizando da mulher, mas se lermos o texto atentamente, esse “ser o cabeça” é uma responsabilidade segundo o exemplo de Cristo. Responsabilidade de amor sacrificial (Efésios 5:25-26) e responsabilidade de cuidado zelando pela esposa como se estivesse cuidando do seu próprio corpo tal qual Cristo faz ao nutrir a igreja, seu Corpo (Efésios 5:28-31). É uma relação de serviço. Ser o cabeça é servir! A sujeição da mulher também é serviço (Efésios 5:24). Em um ambiente de sujeição mútua, as decisões são compartilhadas. Está mais que evidente que não se trata de controle e nem de autoritarismo porque em Cristo houve a restauração da perspectiva de Deus para o papel do homem e da mulher à luz da criação.

Mas, o que Paulo quer dizer com “permaneçam as mulheres em silêncio nas igrejas” e “não [...] tenha autoridade sobre o homem” (I Coríntios 14:34; I Timóteo 2:12). Relembre que Cristo deu dons a todo o corpo e o Espírito foi derramado sobre toda a humanidade, logo, não apenas a homens. Vamos ver um pouco mais detalhado ambos os textos?

a) I Coríntios 14:3-5; 26; 40
Paulo escreve sua carta à igreja de Corinto. Em I Coríntios 11:5 ele ordena às mulheres que oram e profetizam, a usarem o véu, o que tratava de uma questão cultural. PAULO NÃO PROIBE AS MULHERES QUE PROFETIZEM OU OREM PUBLICAMENTE. Logo, I Coríntios 14, como vemos nos versos 26 e 40 trata de uma orientação para que haja ordem no culto. As mulheres, de modo geral, não eram instruídas e falavam muito interrompendo os momentos de instrução nos cultos com perguntas distraindo a congregação e perturbando a ordem. Ele orienta que deixem para tirar suas dúvidas em casa e não durante o culto (v.35). A igreja de Corinto era muito conturbada, haja vista o tumulto na Santa Ceia (I Coríntios 11:17-34). Esse procedimento tumultuoso das mulheres constituía-se uma vergonha para elas. Nos cultos em Corinto, Paulo quer ordem porque Deus é Deus de ordem e paz (I Coríntios 14:33). Se a intenção de Paulo fosse a proibição às mulheres, não deveria haver uma orientação na mesma carta à postura das que profetizam e oram no culto (I Coríntios 11:5) nesse sentindo? Portanto, concluímos que o foco principal é a ordem por razões específicas já mencionadas. O texto precisa ser lido à luz da criação, da relação de Jesus com as mulheres e o derramamento do Espírito sobre a igreja. Não há nada na lei que proíba as mulheres de falarem e já temos compreendido que a sujeição entre a mulher e o homem é mútua em todos os aspectos. Jesus dava voz às mulheres.

b) I Timóteo 2:11-15
Mais uma vez o texto está abordando a adoração pública. Vale ressaltar que era proibido às mulheres estarem nos mesmos ambientes que os homens. As igrejas eram nas casas. A cultura greco-romana não aceitava que as mulheres fossem instruídas. Entretanto, Paulo sabia da importância e da necessidade da instrução às mulheres a respeito do Evangelho e das Escrituras, pois a pouca instrução as tornava presas fáceis de falsos mestres. O analfabetismo entre mulheres era elevadíssimo. Portanto, era uma grande inovação permitir que as mulheres participassem das reuniões em Éfeso. O preconceito com as mulheres era muito grande. Portanto, a atitude de Paulo para esse contexto é tanto de inclusão das mulheres quanto de proteção para a igreja. Por quê? I) De modo geral elas não eram instruídas nas Escrituras; II) Havia muito erro sendo disseminado nas igrejas de Éfeso (I Timóteo 1:3-7), o que as tornava presas fáceis para as heresias; III) Elas poderiam disseminar mais rapidamente as heresias (I Timóteo 5:13; II Timóteo 3:6). Para aquele contexto foi necessário a recomendação, isto é, aprender em silêncio pelas razões já mencionadas.
Agora, se quisermos ler essa passagem em sentido literal e aplicá-lo aos dias atuais, proibindo que as mulheres ensinem e sejam pastoras, então, por que não aplicar integralmente proibindo que as mulheres façam seus cabelos e se adornem? Por que não promover o constrangimento para com aquelas que não conseguem engravidar? Levando mais adiante a hermenêutica literal em I Timóteo, então, os homens precisariam sempre levantar as mãos para orar (I Timóteo 2:8; 15).
Quanto a Paulo mencionar Eva como enganada não é um acréscimo à instrução. Reforça apenas uma perspectiva cultural na qual ele mesmo estava inserido.

Quando lemos sua carta aos Romanos no capítulo 16, vemos Paulo destacando muitas mulheres importantes para a vida da igreja. Das 25 pessoas citadas por ele, 1/3 são mulheres. Havia mulheres tão fortes na liderança como Priscila, que seu nome é mencionado primeiro e de seu marido depois, o que é incomum para aquele tempo (Romanos 16:3). Febe era uma diaconisa da igreja (v.1). Ele saúda Trifena e Trifosa, as quais trabalham no Senhor. Júnias (v.7) era mulher e poderia ter sido uma apóstola, uma espécie de missionária.

Podemos concluir que mulheres podem ser ordenadas?

1. A mensagem do Evangelho é única
As mulheres não pregam nada que difere em conteúdo da mensagem pregada pelos homens. Aliás, relembrando o que já mencionamos, elas testemunharam da ressurreição em primeira mão e espalharam a notícia. A mulher samaritana testemunhou a respeito de Jesus e muitos creram. Qual é o teor da mensagem de Jesus? Tão somente o que elas anunciaram como testemunhas oculares, o mesmo que os apóstolos. A autoridade dos ministros de Deus é a própria mensagem. O foco é o conteúdo que é imutável. Por essa razão, elas podem e devem ser ministras do Evangelho. Hoje, as mulheres usufruem das mesmas oportunidades de instrução que os homens, algo que dentro do contexto de Éfeso não era possível. Infelizmente, atualmente muitos homens têm corrompido a mensagem, enquanto muitas mulheres tem sido fiéis a todo o desígnio de Deus. Talvez, se tivéssemos um Paulo no século XXI, em muitas igrejas ele diria: “Ordeno que os homens fiquem em silêncio”. As mulheres na liderança de nossas igrejas estão tão habilitadas quanto os homens e não se comparam em conhecimento e preparo das mulheres analfabetas e vítimas de preconceitos em Éfeso.  
2. A liderança no Reino de Deus é em equipe
Jesus deixou evidente que liderança no Reino é serviço. Portanto, a distinção de gênero é irrelevante. Liderança no Reino, segundo o modelo de Jesus, é coletividade. Jesus levantou 12. Uma mulher pode perfeitamente liderar com uma equipe. Nessa equipe, conforme vemos I Coríntios 11, 12, 13 e 14 precisa fluir os dons e não há distinção de gênero na distribuição dos mesmos pelo Espírito Santo.  Logo, as mulheres também podem ser ordenadas e liderarem em equipe como devem ou deveriam fazer os homens. A liderança masculina, que não é em equipe e autoritária, é antibíblica e fora dos padrões do Reino de Deus. A sujeição da liderança na igreja é mútua. Não há maiorais no Corpo de Cristo (incluindo homens e mulheres). Que maior seja o menor e servo de todos. O sacerdócio agora é universal de todos os crentes (I Pedro 2:9).

3. Humildade
Assim como o homem, a mulher deve ser humilde. Se o nosso modelo de liderança humilde é Cristo, estariam as mulheres desqualificadas?

Para concluir, menciono o que a Igreja Metodista Livre diz a respeito do tema:

Os metodistas livres reconhecem que Deus concede dons espirituais de serviço e liderança tanto a homens como a mulheres. Visto que homem e mulher são ambos criados à imagem de Deus, tal imagem é mais plenamente refletida quando ambos, mulheres e homens, trabalham em união em todos os níveis da Igreja. Portanto, todas as posições na Igreja são acessíveis a todos que Deus chamar.

Rodrigo Rodrigues Lima

terça-feira, 14 de abril de 2020

Como o cristão deve encarar a morte?

Como o cristão deve encarar a morte?
Como é duro perder um ente querido. Ministrei a Palavra de Deus em centenas de cultos fúnebres. Há um misto de impotência, silêncio, tristeza, alegria e esperança. Já participei de cultos fúnebres onde a presença de Deus permeava todo o ambiente e via no semblante dos entes queridos conforto e esperança. Já participei de velórios angustiantes onde a revolta a Deus e negação da morte eram insuportáveis. Como um cristão deve encarar a morte?

Pensar sobre a morte não é muito agradável para uma sociedade que tem valorizado demais a busca pela conquista na terra. Com o avanço da medicina e o saneamento básico, o homem do século XXI, em regiões desenvolvidas do mundo, vivem mais do que pessoas que vivem em regiões menos privilegiadas. Mas, seja no chamado desenvolvido com muitos recursos, ou no mundo chamado em desenvolvimento, todos encararão a realidade da morte.

Com a pandemia, a morte se tornou uma realidade mais presente e temida nesses últimos dias. A angústia, o pânico, a ansiedade e o medo estão tomando os corações. Não só tememos por nós, mas pela possibilidade de perdermos alguém a quem estimamos muito. Entretanto, se faz oportuno refletirmos sobre a morte e pensarmos em como cristão deve encarar a morte. Algumas verdades sobre a morte:

A morte é uma dura consequência da desobediência de Adão. Deus disse: “mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: ‘Vocês não devem comer dele, nem tocar nele, para que não venham a morrer.’” Gênesis 3:3. Entretanto, Adão desobedece a essa ordem dada por Deus. Percebemos aqui que a morte não fazia parte da condição original do homem, mas era uma possibilidade mediante a desobediência, o pecado.
O apóstolo Paulo declara que “o salário do pecado é a morte.” (Romanos 6:23a). “Portanto, assim como por um só ser humano entrou o pecado no mundo, e pelo pecado veio a morte, assim também a morte passou a toda a humanidade, porque todos pecaram.” (Romanos 5:12). “Visto que a morte veio por um só homem [...] Porque, assim como, em Adão, todos morrem [...]. (I Coríntos 15:21-22). 

Segundo a Palavra de Deus, existem três tipos de mortes: 1) Morte espiritual – Essa morte é a separação do homem de Deus pelo pecado. O homem sem Deus encontra-se morto espiritualmente. Paulo descreve essa aos Efésios: “Ele lhes deu vida, quando vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados.” Efésios 2:1. Essa foi a condição de Adão, após a sua desobediência. Todo ser humano é gerado nessa condição. 2) Morte física – É o cessar da vida corpórea. O espírito se separa do corpo. “Porque, assim como o corpo sem o espírito é morto...” Tiago 2:26. “e o pó volte à terra, de onde veio, e o espírito volte a Deus, que o deu.” Eclesiastes 12:7. 3) Morte eterna – Essa é mais temida. Os perdidos a experimentarão. Perceba que não se trata de um fim existencial, mas de uma eterna separação de Deus. Ela é “um período infinito de punição e separação da presença de Deus”[1]. Jesus menciona esse lugar de punição: “Se a sua mão ou pé leva você a tropeçar, corte-o e jogue fora; pois é melhor você entrar na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou pés, ser lançado no fogo eterno.” Mateus 18:8.

Uma vez apresentado esses conceitos, como o cristão deve encarar a morte?

Para alguém que não conhece a Cristo, a morte é uma maldição terrível, uma penalidade e um inimigo, pois, além de não ter nascido de novo, estando separado de Deus, ele enfrentará a segunda morte.
Para aqueles que creem em Cristo, portanto, declarados justos pela fé, a morte é encarada de outra maneira. A morte não é vista como um mero castigo, pois, eles sabem que não há nenhuma condenação sobre eles (Romanos 8:1). Para entendermos essa confiança, vamos aprender com o apóstolo Paulo:

1.      Como cristão, Paulo encara a morte como um inimigo vencido
“Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo.” I Coríntios 15:22. Todos que creem em Jesus já venceram a morte espiritual. Já não são mais separados de Deus (Efésios 2:1). Uma vez reconciliados com Deus, a morte já não pode mais nos separar do Seu amor. “Quem nos separará do amor de Cristo? [...] Porque estou bem certo de que nem a morte [...] poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.” Romanos 8:35, 38-39. O crente ainda passa pela morte física, mas não teme a sua maldição de separação eterna. Com expectativa espera a concretização total da vitória certa. A morte é um inimigo derrotado, porque os que estão em Cristo tem a certeza de que “é necessário que este corpo corruptível se revista de incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista de imortalidade. E quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade e o que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: ‘Tragada foi a morte pela vitória.” I Coríntios 15:53-54. Portanto, não tememos a morte e reconhecemos que ela é necessária para estar com o Senhor.

2.      Como cristão, Paulo encara a morte como algo necessário e desejável
“Minha ardente e esperança é que em nada serei envergonhado, mas que, com toda a ousadia, como sempre, também agora, Cristo seja engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte. Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Entretanto, se eu continuar vivendo, poderei ainda fazer algum trabalho frutífero. Assim, não sei o que devo escolher. Estou cercado pelos dois lados, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor.” Filipenses 1:20-23
“Porque é necessário que este corpo corruptível se revista de incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista de imortalidade.” I Coríntios 15:53
Paulo, convicto de sua nova realidade em Cristo, certo da ressurreição e da vida eterna, demonstra ter uma luta interna quanto a viver e servir ou morrer e estar com Cristo. Esse certamente é o espírito de um cristão que não teme a morte. Paulo teve profundas experiências com Deus e não tinha a sua vida por preciosa. Cristo é quem vivia em Paulo. Seu coração pulsava pelo céu. Sendo ele um embaixador de Cristo, ansiava pelo seu país. Ele mesmo diz: Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo”. Filipenses 3:20. Paulo ansiava por estar definitivamente em sua verdadeira habitação. Portanto, a morte é somente o meio de chegar lá, não como algo a ser temido, mas desejado.

3.      Como cristão, Paulo encara a morte como uma forma de se identificar com Cristo
“O que eu quero é conhecer Cristo e o poder da ressurreição, tomar parte nos seus sofrimentos e me tornar como ele na sua morte, para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos.” Filipenses 3:10. Nessa era da teologia do coaching e do triunfalismo gospel, soa estranho a muitos que participar dos sofrimentos de Cristo seja algo desejável. Mas, o desejo de se parecer e se identificar com Jesus é tão grande que Paulo almeja uma morte semelhante. Isso me remete aos apóstolos Pedro e João que se alegraram por serem açoitados e sofrerem afrontas por causa do nome de Jesus. A igreja de Esmirna receberia a coroa da vida sendo fiel até a morte, isto é, por meio do sofrimento. Paulo tinha uma teologia muito clara a respeito do sofrimento: “E, se somos filhos, somos também herdeiros; herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo, se com ele sofremos, para que também com ele sejamos glorificados. Porque tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós.” Romanos 8:17-18. Veja que a mente de Paulo está o tempo todo no céu. O sofrimento, conquanto que lhe desse a oportunidade de se identificar com Cristo, era desejável e a morte era apenas um rito de passagem.

4.      Como cristão, Paulo encara a morte como prova de fidelidade e obediência a Deus
Paulo se via como um soldado em guerra. Preso e caminhando para a sua morte, ele escreve ao seu discípulo Timóteo: “Quanto a mim, já estou sendo oferecido por libação, e o tempo da minha partida chegou. Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.” II Timóteo 4:6-7. Será que Paulo é louco ou nós é quem precisamos experimentar um genuíno arrependimento para voltar os nossos olhos para o céu como nossa morada, de fato? Os mártires de todos os tempos deram suas vidas pela causa do evangelho. Não temiam a morte, antes, como o próprio Estevão, foi capaz de morrer pela causa pedindo que o Pai perdoasse seus algozes. Paulo não media esforços para obedecer a Deus expondo-se a situações de risco de morte. Foi apedrejado e dado como morte, sofreu naufrágio, picado por serpente e mesmo assim, não deixou de obedecer. Ele não temia a morte, antes a via como uma oportunidade de se identificar com Jesus, a desejava e sabia que pela ressurreição de Jesus, ela é um inimigo vencido. Isso é confiar inteiramente na graça de Deus.

Mas, você pode me perguntar: Então não devemos sofrer quando nossos entes queridos partem? Claro que sim! Choramos e nos entristecemos, mas não como os descrentes! Paulo escreveu: “...não fiquem tristes como os demais, que não têm esperança. I Tessalonicenses 4:13b. Jesus chorou ao saber da morte de seu amigo Lázaro. O luto existe, mas Jesus nos deu um novo significado. Os incrédulos choram sem nenhuma esperança de futuro. Mas, Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá.” João 11:25. Devemos sim chorar e externar nossa tristeza. “Bem aventurados os que choram, porque serão consolados.” Mateus 5:4. O sentimento de luto é normal e saudável, mas ele não pode ser tornar algo patológico e nocivo. Nós temos uma viva esperança.

Para concluir, nesses tempos de pandemia no qual a morte está diante dos nossos olhos e pode alcançar a qualquer um de nós, temos a oportunidade de refletirmos sobre o modo como temos vivido e sobre o que realmente dá sentido à nossa existência. Jesus nos chamou para vivermos uma vida simples. Não se trata de ter muito ou pouco, mas de ter contentamento não em posses, mas em Deus e no Seu Reino. Valorizar a família, a si mesmo, e sobretudo, ter um único Deus em sua vida, e não outros deuses tais como a si próprio, o dinheiro ou uma carreira. Quando você morrer, pelo que deseja ser lembrando? O que as pessoas (seu cônjuge, filhos e amigos) dirão a seu respeito? Paulo deixou a pista para Timóteo: “combati o bom combate, completei a carreira e guardei a fé.
Não temamos a morte! Vivamos com nossos pensamentos nas coisas do alto (Colossenses 3:1-3). Nossa vida terá sentido e propósito e a morte será apenas para nos apropriarmos definitivamente de nossa pátria celestial.

No amor de Cristo,
Rodrigo Rodrigues Lima, Pastor
Igreja Metodista Livre de Vila Moraes



[1] ERICKSON, Millard J. – introdução à Teologia Sistemática p.484

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Lições sobre a lealdade a Deus na Babilônia - Daniel 1


Lições sobre a lealdade a Deus na Babilônia
Daniel 1

Eu gostaria de compartilhar com a igreja sobre um aspecto de um povo avivado que é a lealdade a Deus, a fidelidade em tempos de tentação ou provação. O povo de Judá quebrou a sua aliança com Deus e, como castigo, veio sobre eles a Babilônia e os subjugou. A Babilônia nesse contexto é o lugar do exílio, da vergonha e do sofrimento do povo de Deus. Mas, a Babilônia também simboliza a degradação moral, a idolatria e o materialismo. É lugar de provação, mas também é lugar de oportunidade. Quero chamar a sua atenção para um posicionamento de lealdade a Deus nos tempos em que vivemos. Nós estamos inseridos nesse mundo em nosso trabalho, na universidade, na escola, no bairro e de um modo geral o que temos visto é uma verdadeira degradação moral, idolatria ao corpo, à autoimagem e ao materialismo. Não quero dizer com isso que não devemos cuidar do nosso corpo e da nossa saúde e não buscar o crescimento e tudo o mais. Pelo contrário, quero mostrar a você através da história de quatro jovens, como estar inserido na Babilônia sem que a Babilônia esteja dentro de você, sobretudo, sendo uma poderosa influência de Deus na sociedade. Jesus orou pelos seus discípulos da seguinte maneira: “Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do mal.” (João 17:15)

1.A lealdade a Deus pode ser ganha ou perdida em casa (v.1-2)
a)Ezequias abriu as portas para que a Babilônia entrasse em Jerusalém. (II Reis 20:12-18) Aprendo um poderoso princípio aqui. Antes mesmo dos filhos irem para a Babilônia cativos, foi permitido anos antes que a Babilônia entrasse no palácio, na habitação real. Ezequias expôs tudo o que possuía para aquele que viria a ser o inimigo do seu povo futuramente.
b)Uma geração pagou o preço por uma aliança perigosa. O Rei Jeoaquim se permitiu aculturar. A Babilônia não negocia, mas devora aqueles que se aproximam dela. A Babilônia levou o que Israel tinha de mais precioso. Os utensílios da casa do Senhor. Não diz quais utensílios foram levados, mas podemos mencionar alguns que possivelmente foram levados. A Pia de bronze que era utilizada pelos sacerdotes para lavarem suas mãos e pés antes de ministrarem na Casa do Senhor. O Altar de incenso que simboliza a adoração, a oração e louvor.
O que podemos aprender?
I.Não se exponha para os valores deste mundo. Seja cuidadoso para que os valores do Reino de Deus sejam vivenciados em seu lar. Essa batalha espiritual já está ganha para aqueles que vivem o Reino de Deus com seus cônjuges e filhos. Não brinque com o pecado e não aceite que os valores sejam invertidos (Isaías 5:20)
II.Não deixe o diabo roubar o que é do Senhor em sua vida. A Babilônia levou tudo o que pertencia ao Senhor e ficou com eles em seu altar. A Babilônia tem um altar! O inimigo quer roubar nossa maior riqueza, a vida de Deus. Ele quer levar da nossa casa a “Pia de Bronze”, isto é, a santificação pela Palavra. Quer levar “O Altar de Incenso”, isto é, a vida de oração do nosso lar. Não permita. Ele quer que mudemos de altar.
A lealdade a Deus pode ser perdida ou ganha em casa!

2.A lealdade a Deus será testada pela Babilônia (v.3-7)
a)A Babilônia testará a lealdade pela vaidade de levar da realeza de Judá para os colocar no palácio. (v.3) Nabucodonosor nesse período era um jovem rei. Ele era visionário e queria os melhores e mais bem preparados para servir em sua corte em questões políticas. Por isso é tão estratégico!
b)A Babilônia testará a lealdade aculturando a realeza e a nobreza de Judá. (v.4) O que define uma cultura? Cultura é o conjunto de manifestações artísticas, sociais, linguísticas e comportamentais de um povo ou civilização. Portanto, fazem parte da cultura de um povo as seguintes atividades e manifestações: música, teatro, rituais religiosos, língua falada e escrita, mitos, hábitos alimentares, danças, arquitetura, invenções, pensamentos, formas de organização social. Nabucodonosor queria que aqueles jovens ganhassem todos os conjuntos de ideias, comportamentos e práticas do povo babilônico.
c)A Babilônia testará a lealdade imprimindo um rótulo de identidade na nobreza de Judá (v.7). O chefe dos eunucos lhes dá outros nomes: Daniel passa a ser Beltessazar que significa "o tesouro (ou os segredos) de Bel"; Hananias passou a se chamar Sadraque que significa "a inspiração do sol", Misael passou a se chamar Mesaque "aquele que pertence à deusa Sesaque" e Azarias passou a se chamar Abede-Nego "servo de Nebo", um deus da Babilônia. No objetivo de aculturá-los, eles recebem um novo nome tentando imprimir uma nova identidade.
O que podemos aprender?
I.Satanás utilizará das artimanhas deste mundo para atrair-nos pela vaidade desse mundo. Você e eu somos da realeza celestial. Somos filhos de Deus. Você poderá chegar a posições elevadas com a permissão de Deus, mas não se esqueça de quem você é. Você pode estar na Babilônia. Ela estará oferecendo a você a beleza de uma vida que a carne ou a vaidade deseja, mas você é da realeza! Satanás testou Jesus oferecendo a ele alimento, fama e poder, mas Jesus sabia que ele era. Você terá muitas oportunidades preciosas neste mundo, mas é nessas horas que sua lealdade poderá ser testada pela vaidade das oportunidades. Guarde o seu coração.
II.A sua lealdade será testada quando o mundo lhe tentar imprimir valores. É preciso aprender a língua, a comunicação para estar inserido na cultura? Aprenda! É preciso compreender os valores deste mundo para lidar com ele? Aprenda. Deus quer abençoar a muitos neste mundo. Ele quer nos fazer prosperar, avançar neste mundo e precisamos entender como tudo funciona. Mas, seja cheio da Palavra de Deus para que a sua lealdade a Deus, ao ser testada, seja aprovada por Deus e lhe dê discernimento para saber até aonde você deve ir.
III.A sua lealdade será testada quando o mundo o quiser rotular. Você é um empresário, um ajudante geral, um bancário, um caixa, um cabeleireiro, entretanto, você é da realeza celestial. O mundo pode querer imprimir um rótulo em você. Ele pode querer dar novos nomes a você: o ganancioso, o ingrato, o infiel, o duas caras, mas você sabe que você é. Você é da realeza celestial.

3.A lealdade a Deus será revelada na força do caráter dos fiéis na Babilônia (v.8-13)
a)A força do caráter de Daniel e de seus amigos os leva a uma decisão de lealdade a Deus. (v.8). Daniel não titubeia. Santidade e vida com Deus é uma escolha que você toma pela graça de Deus. Você conhece o fiel nas situações mais decisivas de sua vida. O sacerdote não está lá para ver se Daniel e seus companheiros estão sendo leais a Deus. Eles simplesmente decidem tomar uma decisão sem necessidade de aprovação de quem quer que seja. Comer daquela comida significava uma ruptura de fé com Deus, pois, para os judeus a comida não era simplesmente uma questão de alimentação, mas de rito religioso. É nessas horas que viveremos de acordo com aquilo que cremos.
b)A força do caráter de Daniel e de seus amigos mantém a real identidade deles. (v.7). Quem são eles? Daniel não é "o tesouro (ou os segredos) de Bel", Beltessazar. Não! Seu nome significa “Deus é meu juiz”. Hananias "a inspiração do sol", Sadraque. Não! Seu nome significa “favorecido de Deus”.  Misael não é "aquele que pertence à deusa Sesaque". Não! Seu nome significa “quem é o que Deus é?”. Azarias não é "servo de Nebo". Não! Seu nome significa “Javé ajudou”. Aleluia! Eles são da realiza do povo de Deus. Eles sabem quem são e por isso não temem em se posicionar para manterem sua lealdade a Deus.
O que podemos aprender?
I.O seu caráter será revelado nas situações mais decisivas de sua vida. Você agira de acordo com o que você crê. Aquele que é leal a Deus não teme em tomar decisões para manter sua fidelidade a Deus. A Babilônia (o mundo) é a oportunidade de manifestarmos o caráter de Deus através das nossas vidas.
 II.O seu caráter revelará a sua real identidade. Quero afirmar que você é da realeza celestial. Você é filho de Deus e agirá segundo o caráter de Deus em sua vida.

4.A lealdade a Deus produz prosperidade na Babilônia (v.17-21)
a)A lealdade a Deus é retribuída com generosidade da parte de Deus. (v.17; 20) A situação não era confortável para os servos de Deus, mas Deus honrou a lealdade deles. Deus os colocou em posição de destaque e honra. Eles foram proeminentes diante dos demais.
b)A lealdade a Deus foi retribuída influência. (v.19) Eles passam a servir o rei. Essa é uma poderosa posição de influência.
O que aprendemos?
I.Deus prospera os fiéis onde quer que estejam. A lista é enorme. Abraão, Moisés, José, etc. Deus o fará prosperar onde você estiver.
II.Deus amplia a nossa influência na Babilônia. Nesse mundo Deus quer levantar homens e mulheres fiéis a ele para tomar posições elevadas e manifestar o caráter de Jesus. Não é o lugar que marca o homem e a mulher de Deus, mas é o homem e a mulher de Deus que marcam o ambiente onde estão. Deus vai aumentar a sua influência.

No amor de Cristo,
Pastor Rodrigo Rodrigues Lima

sábado, 8 de fevereiro de 2020

A Caminho de Emaús. A jornada em que a dor se transforma em fervor

A Caminho de Emaús
A jornada em que a dor se transforma em fervor
Lucas 24:13-32

O Espírito Santo tem falado ao meu coração sobre o porquê de muitas pessoas não conseguirem reavivar o coração. Deus falou muito forte ao meu coração a respeito das dores da vida e da desesperança. Pessoas que, como os discípulos a caminho de Emaús, perderam a esperança por um momento. Estão em uma cansativa jornada, sem conseguir perceber o que está minando seus corações. A dor pode se tornar algo insuportável. Existem vários tipos de dores. Dor aguda, dor crônica, dor nos ossos e ligamentos, dor nos órgãos, mas existe uma dor muito comum que remédios não conseguem curar que é a dor da alma. A alma desses discípulos estava sofrendo com a morte do seu Mestre. Essa dor manifestava decepção, frustração e angústia. Quero falar sobre a jornada em que a dor se transforma em fervor, a caminho de Emaús. Eu tenho convicção de que Jesus avivará o seu coração hoje.

1.       A dor os afasta de Jerusalém (v.13)
Dois discípulos a caminho de Emaús. Esses dois discípulos saíram de Jerusalém no primeiro dia da semana. Eles não deveriam sair de Jerusalém. Jerusalém é o início de tudo, mas é difícil permanecer em Jerusalém! Essa foi uma Páscoa atípica na história de todas. Eles estão se ausentando de Jerusalém. Antes de sua ida ao Getsêmani, próximo de sua prisão, Jesus disse: "Esta noite serei uma pedra de tropeço para todos vocês, porque está escrito: "Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficarão dispersas". (Mateus 26:31). Diante da profunda decepção, da frustrada expectativa, é comum que muitos se dispersem. Depositaram todas as esperanças em Jesus, mas o vexame foi muito grande. Justamente na festa mais importante para o povo judeu, o líder deles é crucificado. Assim, cada um vai procurar o seu caminho. É uma caminhada de questionamentos! É uma caminhada de decepção! É uma caminhada de frustração. A dor os afasta de Jerusalém. A dor pode nos afastar da nossa Jerusalém.

2.       A dor os impede de reconhecerem a Jesus (v.14-17)
a)O coração está tomado de dor (v.14). Eles estão conversando a respeito de tudo. Não havia outro assunto. A boca fala do que o coração está cheio. Na caminhada, não há nada mais o que falar. Com tamanha decepção, nada mais ocupa o coração e as conversas. As minhas conversas revelam o que tem marcado o meu coração. O que domina a maior parte dos meus pensamentos e diálogos revelam o estado do meu coração. b)Os olhos estão cegos (v.16). Eles têm olhos, mas não veem. Surpreendentemente Jesus está ao lado deles, caminha com eles, mas eles não o percebem. A dor é maior! A frustração, a decepção, o estado de perplexidade são muito maiores do que a presença de Jesus. É Jesus glorificado, mas a eles não percebem! Como?! c)As pernas sentem o peso da tristeza e paralisam (v.17). Por um momento Jesus pergunta: O que aconteceu? E eles param. A tristeza é tão grande que eles param de caminhar. Como a angústia, a tristeza, a perplexidade podem nos paralisar!
A dor pode nos impedir de reconhecer a Jesus quando o nosso coração está tomado de dor, os nossos olhos estão cegados pela dor e as pernas já não conseguem seguir na jornada por causa da dor. 

3.       A dor é por eles compartilhada (v.18-21)
a)A pergunta toca na ferida (v.18-19). A pergunta de Jesus toca na ferida. Isso me remonta a Elias na caverna quando Deus lhe pergunta: "Que fazes aqui Elias"? Será que Deus não sabe o que está acontecendo? No caminho da dor, é preciso falar!
Elias fala com Deus! Cleopas fala com Jesus, mas ambos estão em um momento em que a dor está mais forte do que a Presença de Deus que está diante deles. Eles são como eu! Humanos! Humanos não tem a visão do todo e precisam desabafar quando sua mente não compreende toda a dor. Então, segundo a ótica humana deles, explicam tudo!
É preciso externar a dor, o ponto de vista, o sofrimento para que haja cura. b)A explicação revela o pus da ferida: "Esperávamos que fosse ele...". Provérbios 13:12 diz: "Esperança adiada faz adoecer o coração". No ano retrasado eu fiquei muito triste com o fato de, no último momento, o dono do galpão ter recuado na venda. Esse é um excelente exemplo. As expectativas frustradas de um emprego, de uma faculdade, de um dinheiro que estávamos contando que chegaria, a cura, o milagre, enfim, a esperança adiada faz adoecer o coração. Aqui está a razão pela qual os discípulos estavam machucados. Por um momento, esperavam que fosse ele, mas a circunstância minou a fé deles! A circunstância minou o coração deles. Infelizmente, em minha experiência com aquele galpão eu também adoeci. "Esperávamos que fosse ele!" Mas, não aconteceu como queríamos. A dor precisa ser compartilhada!

4.       A dor suprime a alegria e a fé (v.22-27)
a)Eles não se entusiasmam com as boas notícias (v.22-24). Não tem jeito. Quando a dor é muito forte, a esperança está adiada e o coração adoecido, o questionamento está grande e não conseguimos enxergar a Deus e duvidamos, podemos até ficar irritados porque a alegria e o entusiasmo dos outros deixa em maior evidência o triste sentimento que está no nosso. Eles foram surpreendidos, as não se entusiasmaram. A eles foi compartilhada visões de seres angelicais, mas não se entusiasmaram. A eles foi dito que Jesus ressuscitou, mas eles não se entusiasmaram. Na verdade, a pergunta na dor é: "Como Deus está nesse negócio? Ele nos enganou? b)Eles não conseguem crer (v.25-27). Elias, na caverna, passou um tempo desacreditado. A tristeza, a perplexidade e a cegueira infelizmente nos roubam o discernimento. Ficamos insensatos, isto é, perdemos a capacidade de entender os fatos e a verdade de Deus. Jesus os traz para as Escrituras. A resposta para aqueles fatos estava nas Escrituras. Para pessoas sem fé, somente as Escrituras podem fazer o coração arder no peito novamente. A dor suprime a alegria e podemos estar sem entusiasmo. A dor suprime a fé e podemos estar sem esperança.

5.       A dor tem um encontro com Jesus e o coração recebe fervor (v.28-32)
Foi uma jornada. Que jornada! Com Jesus ao lado, com o coração entristecido, chegando no destino, Jesus faz menção de seguir viagem, mas eles O convidam para ficar com eles. Jesus não é invasivo. Mas, as suas palavras provocam neles um desejo por sua companhia. Jesus sabe como falar ao coração sem que soubessem que era Jesus. Será que você já não pensou em desistir? Talvez tenha sido o mês passado. Talvez tenha sido na semana passada. Talvez hoje. Para as mulheres que foram embalsamar seu corpo ele disse - "Maria", de forma que somente ela saberia ser ele. Para estes dois, ao partir o pão e dar a eles, seus olhos se abriram. Para Elias, foi em um cicio tranquilo e suave. E você? Como foi que Ele se revelou a você? Como Ele se revelaria particularmente a você? As Escrituras têm o poder de fazer o coração arder no peito novamente. Acredito que esse relato também esteja fazendo seu peito arder novamente. Jesus que vir ao encontro de sua dor e aquecer o seu coração!

No amor de Cristo,
Pastor Rodrigo Rodrigues Lima